JORNAL MILENIO VIP

Colunistas - Izaura Hart

Uma lanterna e um menino

Publicado na edição 122 de Junho de 2012

Mais uma vez o bairro inteiro ficara sem luz.

Cheguei na ânsia de subir rapidamente, mas sem energia elétrica , temendo que as luzes de emergência não estivessem funcionando, resolvi aguardar sentada na portaria, até quando tudo clareasse, ao invés de enfrentar as escadas.

Após alguns minutos, percebi que o brilho de uma vigorosa lanterna iluminava o local onde me havia acomodado.

Por trás dela estava um menino de uns 9 anos que me cumprimentou e, como gosto de conversar com crianças, puxei logo um assunto falando sobre a escuridão. Ele, falante e muito educado, após me dizer seu nome, imediatamente se ofereceu para iluminar as escadas e levar-me até minha residência. Cuidadosamente subiu quatro andares, procurando ir devagar tentando dessa forma, acompanhar a lentidão de meus passos.

Atravessou todo o corredor e foi até a minha porta, com uma delicadeza e amabilidade de fazer inveja a qualquer “gentleman”.

Após agradecer muito pelo gesto, disse-lhe que ele deveria ter u’a mãe maravilhosa que se esmera em sua educação.

Fiquei meditando após sua saída que é natural que se imagine diante de uma criança educada, que seus pais lhe oferecem o melhor em matéria de boa educação, mas, infelizmente, pode ocorrer  também que os pais façam de tudo e que os filhos não saibam ou não queiram aproveitar, prefiram ficar com a bagagem que trouxeram ao entrar na vida, com a “mala” quase vazia de bons conteúdos.

Pensando assim, me deparei mais uma vez com o valor da afabilidade e da ternura.

Quem não gosta de ser tratado com educação, com gentileza, com carinho?

Até os animais reagem de maneira diferente aos estímulos amorosos e aos grosseiros!

Como é bom poder observar o poder da gentileza! Como ela consegue “quebrar” muitas vezes a ira de alguém  que chega querendo nos derrubar!

Pobres criaturas enfurecidas, “de mal com a vida”, que  quando se aproximam apenas      sabem “cobrar”, nunca solicitam, porque sem  o saber demonstram o quanto são infelizes, porque quem está bem consigo mesmo e com o seu próximo não agride.

Pensei muito no gesto daquele menino tão gentil e seria tão bom que outros meninos como ele e nós adultos pudéssemos ver que pequeninas atitudes tornam a vida de todos muito melhor!

O ensinamento continua ecoando em nossos ouvidos: “Fazei aos outros tudo aquilo que quereis que vos façam”, até iluminar o caminho do próximo com uma simples lanterna...

 

 

 



Izaura Hart
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