JORNAL MILENIO VIP

Colunistas - Rosinha Matuck

Vovó moderna

Publicado na edição 123 de Julho de 2012

 

Ela já não é mais a mesma. Longe vai o tempo em que como D. Benta, a avó criada por Monteiro Lobato, passava os dias no recôndito do lar, óculos na ponta do nariz, sentada na cadeira de balanço fazendo tricô e crochê. Esta cena, agora, só em velhas fotos, em palcos, em telas.

A avó de hoje é independente, descolada, trabalha e tem renda própria, vida social ativa, não usa os cabelos obrigatoriamente brancos, não se veste nem se comporta como “senhorinha”, viaja, lê, é bem informada, está nas redes sociais da internet, opina, participa, dirige seu carro, toma seu pileque e ainda acha tempo pra sonhar... É uma pessoa interessada e interessante.

As avós de hoje são da geração que foi jovem nos anos 1960/1970, que foi à luta por justiça e liberdade – tanto política quanto de costumes. São conscientes, têm a cabeça aberta e farta experiência de vida. São as mulheres que concretamente conquistaram e ocuparam espaço no mercado de trabalho e na política.

Mas nem tudo são flores na vida desta nova avó, que carrega as cicatrizes de ter lutado contra o sistema, desbravando novos caminhos, errando e acertando, sofrendo e fazendo sofrer. Ela paga seu preço: as responsabilidades e pressões da vida moderna, e o estresse daí resultante, eram desconhecidos de suas antepassadas.

Ainda assim ela continua sendo o ponto de união da família e, se já não sabe (ou não pode...) ser expert em prendas domésticas, em contrapartida consegue acompanhar as mudanças de seu tempo e compreender as novas linguagens - o que facilita o diálogo com os netos e possibilita compartilhar com eles experiências e conhecimento, estimulando-os com jogos e brincadeiras de que ela também pode participar. E acima de tudo, continua a dedicar aos filhos dos filhos o mesmo amor de sempre.

Mas não se enganem: há que ser terno, mas sem perder a firmeza jamais!

A vovó do exemplo abaixo, colhido da internet, que nos sirva de exemplo.
(Rosinha Matuck)

DESABAFO (Reflitam)!!!

Na fila do supermercado o caixa diz a uma senhora idosa que deveria trazer suas próprias sacolas, já que sacos de plástico não eram amigáveis ao meio ambiente. A senhora pediu desculpas e disse:

- Não havia essa onda verde no meu tempo.

O empregado respondeu:

- Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha senhora. Sua geração não se preocupou o suficiente com nosso meio ambiente.

E a velha senhora responde:

- Você está certo, nossa geração não se preocupou adequadamente com o meio ambiente. Sabe por quê? Naquela época, as garrafas de leite, refrigerante e cerveja eram devolvidas à loja. A loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de cada reuso, e as garrafas eram reutilizadas muitas vezes.
Realmente não nos preocupamos com o meio ambiente no nosso tempo. Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhávamos até o comércio, ao invés de usar o nosso carro a cada vez que precisávamos ir a dois quarteirões... Mas você está certo: Nós não nos preocupávamos com o meio ambiente. Até então, as fraldas de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. Roupas secas não se conseguia usando máquinas bamboleantes de 220 volts, mas era a energia solar e eólica que realmente secavam nossas roupas.

Os meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido de seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas... Mas é verdade: não havia preocupação com o meio ambiente, naqueles dias.

Naquela época tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha uma tela do tamanho de um lenço, não um telão do tamanho de um estádio - que depois será descartado, não sei como...

Na cozinha, tínhamos que 'bater' tudo com as mãos porque não havia máquinas elétricas, que fizessem tudo por nós. Quando embalávamos algo frágil, usávamos jornal amassado, não plástico-bolha ou pets de plástico que duram séculos para se degradar. Naqueles tempos não se usava um motor à gasolina para cortar a grama, mas um cortador de grama que exigia músculos. O exercício era extraordinário, e não precisávamos ir a uma academia e usar esteiras elétricas.

Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o meio ambiente. Bebíamos diretamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos. As canetas, recarregávamos com tinta umas tantas vezes, ao invés de comprar uma outra. Usávamos navalhas, ao invés de jogar fora todos os aparelhos “descartáveis” e poluentes só porque a lâmina ficou sem corte...

Na verdade, tivemos uma verdadeira “onda verde” naquela época: Naqueles dias, as pessoas tomavam o bonde ou o ônibus, as crianças iam em suas bicicletas ou a pé para a escola, ao invés de usar a mãe como um serviço de táxi 24 horas. Tínhamos só uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede. Nós não precisávamos usar um GPS para chegar num restaurante, só íamos à pizzaria mais próxima.

Sua geração é que não quer abrir mão de nada e pensa que a minha época foi responsável. Então, a atual geração não deve falar da MINHA geração, mas resolver o problema que a SUA vem causando ao meio ambiente...

Tenham um bom futuro, se puderem, é claro!

 

Rosinha Matuck
Conheça o perfil pessoal de nosso colunista ou outros artigos publicados por ele
Clique Aqui