JORNAL MILENIO VIP

Colunistas - Neuza Carion

SIC

Publicado na edição 122 de Junho de 2012

Tudo se move no tempo e no espaço, cada um e cada coisa em seu passo e seu prazo, desde o Big Bang até que tudo volte ao estado de energia pura.

Tudo que é sólido desmancha no ar. A matéria é vã, é fugaz e desde sempre faz o seu jogo de montagem, desmonte e remontagem de seus elementos.

O que permanece e se transmite além de tempo e espaço é intangível e invisível a olho nu: idéias, sentimentos, consequências de atos e gestos permanecem - e ainda assim não são imutáveis.

A luta pela conquista de Fama e Poder é vã: uma palavra, uma imagem, um instante são a distância entre a exaltação e a queda. O único poder realmente indispensável é o de cada um sobre si próprio.

O que é, é agora. O Poder está no Agora e há que estar atento ao seu gêmeo Dever, que orienta seu uso para o Bem, que é o que permanece.

Estas considerações têm dois motivos: o primeiro (não pela ordem de importância...) é a recém iniciada campanha eleitoral, como um apelo à reflexão por parte de quem dela participa.

O segundo é pessoal: perdi dois amigos em dias subseqüentes no mês de junho último. Estavam distantes entre si, no tempo e no espaço, mas eram importantes para mim e sua ausência me dói. Um, relativamente recente, meu vizinho Dr. Luiz Iglesias, médico e escritor, espírito lúcido e alma de poeta, foi cedo demais apesar dos já bem vividos anos.

O outro, meu amigo há mais de vinte anos, o jornalista, radialista, designer, agitador cultural, ambientalista, humanista, engajado e atuante em tudo ao mesmo tempo, o ser holístico Fernando Tadeu Fernandes, com quem já não tinha contato freqüente, mas que como amigo que era, estava sempre presente. Fernando, meu parceiro em tempos de batalha, essencial na construção e manutenção da revista Guia & Cia., nos deixou cedo demais e inesperadamente, não só por ainda ter uma longa expectativa de vida, quanto por estar cheio de projetos que infelizmente deixou em meio, deixando também muitos órfãos além de seus dois filhos.

Não são considerações amargas, nem desesperançosas. A consciência me dá perspectiva, foco e força para lidar com as perdas e consola-me crer que há vida além do inexorável.

Neuza Carion
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