JORNAL MILENIO VIP

Colunistas - Roberto Silva de Siqueira

Pobre Estrada do Contorno (BR 493), Pobre Magé

Publicado na edição 123 de Julho de 2012

A assim chamada Estrada do Contorno da Baía de Guanabara, em verdade a BR-493, foi construída em 1960. Era uma forma de contornar a Bahia de Guanabara, fazendo a ligação entre o Rio de Janeiro (Capital Federal) e Niterói, capital do Estado do Rio de Janeiro (Capital fluminense). Ligação que, naquela época, para os veículos era feita de chata.

Com 25km de extensão, entre a BR-101 (norte), em Manilha - Itaboraí RJ, e a BR-116 (norte) rod. Rio-Teresópolis em Santa Guilhermina, Magé RJ, a Estrada do Contorno teve sua relevância e vital importância até a inauguração em 1974 da Ponte Presidente Costa e Silva, apelidada de Ponte Rio-Niterói. A partir de 2002, com sua capacidade além do limite, a Ponte Rio-Niterói passou a limitar a passagem de veículos pesados, sobretudo os veículos de carga.

Tal fato fez com que o fluxo de veículos pesados voltasse a circular pela Estrada do Contorno, expondo os problemas já existentes, tais como a irregularidade no piso; a falta de acostamento; as travessias urbanas de veículos e pedestres; os riscos impostos pelas ultrapassagens, a baixa velocidade média; entre outros (Fonte RIMA BR-493 nov/2008m, pela CONCREMAT)

Com a definição em 2006 da instalação do COMPERJ em Itaboraí, surge também o projeto do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro, de responsabilidade do Governo Federal / DNIT, que prevê a duplicação de toda a extensão da Estrada do Contorno entre a BR-101 (norte), Manilha - Itaboraí RJ e a BR-116 (norte) rod. Rio-Teresópolis em Santa Guilhermina.

Então, nossos problemas estavam resolvidos. Ledo engano, justamente pela possibilidade de duplicação da Estrada do Contorno sua conservação passou a ser negligenciada.

Hoje a realidade é a seguinte, os usuários da Estrada do Contorno (BR-493), estão jogados à própria sorte quando se arriscam a transitar pela Rodovia. A mesma está repleta de buracos, senão crateras, capazes de cortar e danificar rodas, pneus, influenciar na dirigibilidade dos veículos, forçando os motoristas a manobras arriscadas. Sem falar na acessibilidade de veículos e pedestres nas principais entradas de Magé, vale dizer, na altura dos bairros de Piedade e da Barbuda.

Imagino uma família em viagem que venha a transitar pela primeira vez pela Estrada do Contorno e, por uma infelicidade, tenha que fazê-lo à noite. Que Deus a acompanhe porque os homens incumbidos de nos dar uma estrada apta para o livre trânsito, Estes, certamente estarão dormindo em suas casas. E se, infelizmente o pior acontecer, esta tragédia que aflige as pessoas desta hipotética família, (pais mães, filhos, netos, crianças, bebes, amigos, em fim entes queridos), se transformarão apenas em estatística. Números que demonstrarão, no futuro, o fato de que a estrada precisa ser cuidada.

No Projeto de Adequação de Capacidade da Rodovia BR-493 - Estudo de Impacto Ambiental, produzido pela CONCREMAT Engenharia em 2008, no Capítulo 5.3.10.4 - Aspectos de Segurança da Rodovia, para fins de implantação do Arco Metropolitano foi possível constatar entre o período de 2003/2005, diga-se de passagem, num período onde o tráfego era menor e a Estrada estava em melhores condições do que hoje: Tipos de acidentes: choque com objetos fixos; capotamento; atropelamento de pessoas; atropelamento de animais; veículos parados; colisão traseira; abalroamento lateral no mesmo sentido; colisão frontal; abalroamento lateral no sentido oposto; abalroamento transversal; tombamento; saída de pista; outros. Quantidade de acidentes: os tipos mais frequentes são atropelamento de pessoas; colisão traseira e abalroamento transversal. Quantidade de feridos: os feridos que venham a falecer após a transferência para o hospital não são considerados como mortos, logo a quantidade de vítimas fatais é muito maior. Quantidade de vítimas fatais: ocorrem com maior frequência na área urbana o que confirma uma maior gravidade de acidentes com atropelamento de pessoas onde o óbito no local é mais frequente.
Pois bem, quem são estes responsáveis pela conservação? Ou melhor, irresponsáveis por omissão? Por ser uma rodovia federal a União Federal, deveria, através de seus órgãos responsáveis, manter a Estrada devidamente conservada. E o que estão fazendo a respeito? Eu digo, nada. Todos estão a espera de uma duplicação que temos certeza, irá acontecer. Porém, quando?

Ora é simples, enquanto não há duplicação. Que haja conservação. Enquanto não há COMPERJ, que haja sinalização. E que haja responsabilidade e respeito com a vida humana e com o cidadão. O que é mais importante, a vida de uma família, ou de uma única pessoa que seja, ou o dinheiro para conservar e sinalizar? 

O Município de Magé não tem nenhuma competência na conservação e gerenciamento da Estrada mais, tenta dar um pouco de ordem em alguns momentos do dia, com sua guarda municipal atuando nas principais entradas da Cidade. Porém, não resolve o problema.

A Instituição que atualmente represento já oficiou os órgãos federais no sentido de cobrar explicações sobre a efetividade na conservação da via. No entanto, é necessário que todos nós, Governo Local, população em geral, instituições, associações de bairros, candidatos, pressionemos o Governo Federal a fazer aquilo que é sua obrigação. Não podemos mais jogar com a sorte ao transitar pela Estrada do Contorno.

POBRE ESTRADA DO CONTORNO. POBRE MAGE. Sitiada por pedágios e agora, ilhada pela BR-493.

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Roberto Silva de Siqueira
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