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Colunistas - Demétrio Sena

Perdemos Salomão Carreiro

Publicado na edição 123 de Julho de 2012

O Município de Magé, especialmente o sexto distrito perde a simplicidade, a alegria, o invólucro que abrigava na terra um espírito de luz e bondade... Um político sem mandato, que tinha no sangue a nobreza da verdadeira política, jamais praticada por qualquer locatário do poder público, entre os que pude conhecer até então. Magé perde Salomão Carreiro. O velhinho de barbas longas e encardidas, que nunca pensou em si próprio nem nas vantagens que o poder público podia lhe proporcionar, como recompensa material por sua peleja comunitária que ajudava centenas de pessoas a obter dignidade pelo trabalho; a conquista da terra; o sonho braçal de plantar; produzir; colher; ter orgulho.

Salomão era um sábio sem diploma. Fazia jus ao nome do grande rei que sabia lidar com as questões mais conflitantes, achando sempre um meio de não ser injusto nem truculento. O nosso Salomão foi assim. Tratava de questões polêmicas e perigosas, sendo amado por seus pupilos e respeitado pelos desafetos eventuais que todo grande homem tem, exatamente por ser um grande homem. Afinal, ninguém luta impunemente por justiça; ninguém defende o próximo e suas causas sociais sem pagar o preço da ousadia de acreditar em um mundo melhor. Contrariando a todos os falsos profetas da sociedade que o cercava, Salomão criou à sua volta esse mundo melhor. Fez muita gente sorrir e acreditar no ser humano; fingiu ser enganado por muitos, para dar aos mesmos uma grande lição de vida. Fez-se de tolo para enganar os tolos empertigados; camuflados de sabichões. 

Um acidente com seu velho Jipe usado constantemente a serviço do próximo levou nosso Salomão. Ele foi de Jipe, ocupar seu espaço no possível plano superior. Na galeria dos heróis de fato. Nas raias do olimpo que nenhum ser humano pode sondar... Cujo endereço nenhum dos líderes das greis deste mundo saberá dizer, porque foge a qualquer pretensão acadêmica, litúrgica ou filosófica. O fato é que perdemos Salomão. Primeiro, porque a perda faz parte do achado. Morrer é mesmo da vida. Em segundo lugar, talvez porque ainda não mereçamos um homem como ele... Já tivemos o presente da sua presença por alguns anos... Por muito mais tempo, seria o caso de abusarmos da generosidade do destino.

Demétrio Sena
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