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Colunistas - Ivone Boechat

O valor da família

Publicado na edição 124 de Agosto de 2012

A  família é resultado do projeto divino.

Todavia, a história de inúmeras famílias descrita no livro sagrado desaponta pelo retumbante fracasso, não do modelo traçado por Deus, mas, sim, pelo homem desobediente à orientação do Criador.

Num dos episódios da vida de Abraão, “pai da fé”, Deus recomendou:

“Sai-te da tua parentela”. Como não houve obediência, as conseqüências foram terríveis.

Abraão, não ouviu o que Deus determinou e “resolveu” dar uma carona ao sobrinho, Ló, e o resto da história é o resumo da história de muitas famílias, que têm a mania de, indiscriminadamente, carregar a parentada no banco de traz e na maioria das vezes, no banco da frente.

No casamento os noivos assumem o compromisso no altar de sustento mútuo, mas é comum encontrar um kit completo esperando por eles lá do lado de fora! Inúmeras vezes, do lado de dentro e o novo casal vai morar junto... E se encosta!

Na arca de Noé, quem entrou? Sua família.

Por que será que conviver com parentes é tão complicado assim? É diferente de viver em família: pai, mãe, filhos. Parentes são tios, sobrinhos, primos, cunhado, nora, genro, sogra...encostos... E a sogra, campeã de perseguições, vem carregando uma carga negativa de antipatia, rejeição, discriminação. Geralmente a sogra sofre injustiças, principalmente, com as pesadas malas deixadas por irresponsáveis nas costas dela. O sujeito se encosta na sogra e reclama de invasão de privacidade!

Um dos mais poderosos mísseis lançados no espaço familiar vem dos maus parentes agregados à família, e muitos nem disfarçam, chegam de olho nos “erros”, nas “falhas”, na herança, nas benesses. Nenhum esforço fizeram para se apossarem das vantagens conseguidas com suor e sangue dos outros e ainda julgam que têm pouco, são parentes... e aí...querem mais. Há parentes que colam e querem derrubar o mito de uma família feliz e daqueles que se esforçaram para exercer o amor e a responsabilidade mútua.

A prioridade da família é a família. Não significa fechar os olhos ou encolher os braços para negar socorro. Pronto socorro é uma coisa, exploração perpétua é outra. O sujeito finge doença, pobreza e pasmem...feiúra! Até cirurgia plástica é cobra por parentes!!

Jesus estava numa festa de família em Betânia e os olhudos estavam do lado de fora. Críticas não faltaram nem ao Mestre. Judas disse mais ou menos assim:“Com tanto pobre lá fora e você permitindo que se derrame sobre os seus pés um perfume tão caro?” E a resposta perfeita não faltou: “Pobres, sempre os tereis convosco”.

Esse “pobre que sempre tereis convosco” é aquele que bisbilhota a festa dos outros, os bens do outro, querem tirar proveito na sombra e na sobra.  Querem comer e beber de graça! Ficam na espreita, com uma língua afiada desse tamanho!

Não precisa generalizar, na parentela, há pessoas grandiosas, muito especiais, mas “pobre sempre tereis convosco”: braços cruzados, preguiçosos, folgados, invejosos, exploradores, prontos pra achar que o seu perfume é caro, o carro do ano é luxo (enchem a paciência se vão de carona) para esses tudo está errado, tudo é desperdício: a casa na praia, o sítio, enfim, ao invés de irem à luta, não, ficam espionando o progresso do parente, do lado de fora, pior que a maioria dentro!

Ivone Boechat
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