JORNAL MILENIO VIP

Colunistas - Neuza Carion

PAI

Publicado na edição 124 de Agosto de 2012

Felizes os abençoados com – e por – um pai que sabe honrar este título: só têm motivos para comemoração no dia em sua homenagem.

Pena que nem todos tenham a mesma sorte.

Alguns são frutos da inconseqüência, vítimas de desencontros, filhos da solidão. Precisam da força da Lei para lhes garantir o direito a um nome, uma família, uma história. Negam a eles uma parcela essencial para a formação e o desenvolvimento pleno de sua personalidade. Sofrem por uma ausência, pela rejeição.

Outros recebem o nome, mas lhes negam afeto, cuidado, educação. Filhos da indiferença, do egoísmo, da ignorância, do desamor, são vítimas de abandono, violência, negligência. Sofrem abusos, brutalidade, privações, por uma presença muito mais danosa que a ausência.

Qualquer caso, em qualquer grau, é fonte de humilhação e vergonha, gera um sofrimento que perdura, se estende e tende a se perpetuar num círculo vicioso, sem distinção de classe, cor ou convicções filosófico-religiosas. Uma corrente do mal.

É verdade que nem toda ausência é escolha do ausente, às vezes o destino prega suas peças, às vezes ele é o excluído, mas a intenção, aqui, é discutir a irresponsabilidade de quem não assume as consequências de seus atos, ou a insensibilidade, a desumanidade de quem trata os filhos como um objeto à sua disposição.

Filho não é propriedade, é responsabilidade!

Já é mais que tempo da nossa sociedade – como um todo: família, escola, instituições – educar as crianças para a paternidade responsável. As crianças se tornam o que são ensinadas a ser, com palavras e com exemplos.

Não por acaso, um conceito defendido e assumido pela Justiça brasileira na proteção à Família, atualmente, é o da paternidade sócio-afetiva, gerando direitos independentemente de vínculos biológicos ou legais: pai é quem se apresenta como tal e cria uma relação de afeto e confiança. Enfim, é quem cuida, como no antigo dito popular.

É preciso cada vez mais divulgar e estimular o exemplo daqueles pais que amam e cuidam, em especial aqueles que, mesmo sem o laço biológico, acolhem, abraçam, abrigam, se dedicam, protegem e educam. Estes são os pais que precisamos reconhecer e valorizar, porque fazem sua parte para criar um mundo melhor.

De minha parte, agradeço a benção de ter tido bons pais na minha vida: o meu próprio, o de meus filhos e os de meus netos. Obrigada, Senhor!

Neuza Carion
Conheça o perfil pessoal de nosso colunista ou outros artigos publicados por ele
Clique Aqui