JORNAL MILENIO VIP

Colunistas - Roberto Silva de Siqueira

Compra por impulso cuidado com as armadilhas

Publicado na edição 124 de Agosto de 2012

Quando acabamos de fazer uma compra ou de consumir algo fizemos isto porque quisemos? Fomos livres na nossa escolha? Em geral ficamos satisfeitos com o que compramos ou consumimos?

Pois é, quando somos consumidores de um produto ou serviço temos duas tendências, ou realizamos uma compra racional ou uma compra impulsiva.

A compra racional é aquela que fazemos de forma programada com base em necessidades reais. A compra impulsiva é aquela que está intimamente ligada ao conhecimento das sensações e das relações com o mundo que o consumidor tem. É aquela que NOS LEVA a um compra no impulso. Diria mesmo que somos compelidos a comprar.

Isso acontece porque na área do marketing são desenvolvidas diversas ações mercadológicas que maximizam, ou seja, aumentam o nosso desejo de comprar de consumir. Assim, verificamos a utilização, por quem vende, de técnicas que visam a atingir o emocional do consumidor forçando-o a uma aquisição de produtos e serviços nem sempre necessárias.

Vejamos alguns situações:

- Não se deve fazer compras com fome ou com pressa: tais situações nos levam a comprar mais do que queríamos. Talvez por isso, tenhamos nos grandes supermercados, geralmente na metade do percurso das comprar uma padaria onde periodicamente saem fornadas de pães. Alguém resiste ao cheiro de pão freso saído do forno? O apetite não fica, como dizem, "aberto". E no restante do percurso o que temos? Gôndolas com alimentos. Não é irresistível?

- Lanchonetes e restaurantes com cores amarela, vermelha ou alaranjada, nos levam a ter o desejo de comer: são cores ou ambientes que abrem o apetite. Com certeza a maioria dos restaurantes e lanchonetes que frequentamos, em regra, têm essas cores.

- Prateleiras a metro e meio do chão especificas para o público infantil, sempre coloridas e com motivos dos desenhos da moda. Quem não teve filhos, sobrinhos e netos com aquela frase feita: COMPRA PARA MIM?

- E o que dizer, por exemplo, das máquinas quase mágicas, de fazer sucos de frutas, que vemos na televisão, em poucos segundos de comercial, quase sentimos o gosto das frutas e imaginamos momentos com nossas famílias consumindo o produto, é irresistível não? Pois, é na propaganda não mostra que a máquina tem uma dezena de peças que depois de usada têm que ser lavadas, secadas para depois serem montadas e guardadas.

- Alguém já viu as propagandas sobre aparelhos para emagrecer, são práticos, leves e podem ser guardados em qualquer lugar. Nos dizem que podemos fazer os exercícios em pé ou deitados, vendo TV, lendo, só falta dizer que podemos usar até dormindo. Quantas pessoas compraram estes aparelhos e agora estão guardados em baixo da cama?

Estas são as chamadas vendas por impulso. Compro agora, penso depois.

Para isso, temos algumas proteções existentes no Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90), que considera a nós consumidores parte vulnerável em relação ao fornecedor de produtos ou serviços, são eles:

- o dever de informar as características, qualidade, riscos, preço, validade, composição dentre outros dos produtos;

- a oferta e publicidade são pré-contratos, ou seja, o que está anunciado tem que ser obedecido;

- a possibilidade de arrependimento das aquisições não presenciais. Ou seja, se comprei um produto pela internet ou televisão, sem ter a possibilidade de manuseá-lo antes, somente com as imagens dos comerciais, tenho o prazo de 07 dias para devolver o produto e ter o dinheiro de volta sem qualquer desconto, mesmo se tiver usado o produto.

Apesar da ajuda legal, nada substitui o nosso bom senso, diante destas e outras armadilhas impostas pelo mercado. E não estou falando de economizar dinheiro, falo em não comprar o desnecessário.

Atenção nas compras por impulso, não vamos se deixe manipular.

Roberto Silva de Siqueira
Conheça o perfil pessoal de nosso colunista ou outros artigos publicados por ele
Clique Aqui