JORNAL MILENIO VIP

Colunistas - Rosinha Matuck

O Governo da Holanda Confirma:

Publicado na edição 125 de Setembro de 2012

Maconha faz mal à saúde.

Seminário Intolerância Religiosa e Racismo faz mal à saúde.

Comer depressa faz mal à saúde. 

Ar condicionado sujo faz mal à saúde.

Sons de carros eleitorais fazem mal à saúde auditiva.

Política de Magé faz mal à minha saúde...

A política tem sido uma constante disputa de interesses pessoais, econômicos e até religiosos - porém nunca ecológicos, sociais e culturais - protagonizada por representantes da sociedade, eleitos ou impostos, que têm o poder de formular as leis, normas e regras que controlam as relações sociais, em todos os níveis. E esses detentores do poder tomam - ou podem tomar - decisões levando em conta suas opiniões pessoais e/ou a opinião de “certos” grupos que se utilizam do poder em benefício próprio usando, para isto, meios legais e com base democrática.

O que fazer diante de tanta legalidade em mim?  Implodir?  Foi o que aconteceu... Em boca calada não entra mosca... você sublima... faz ouvidos moucos...

Eu? Ouvidos moucos? Eu polêmica, à frente do meu tempo, vanguardista, super super correta, eu?

Daí, seguindo os conselhos dos meus personal saúde, decidi deletar, na medida do possível, a doença que causa em mim esses confrontos de baixíssimo nível, que não acrescentam nada à revolução tão necessária a Magé.

Não quero saber quem roubou o que e quem está levando mais, o que deixou de ser feito, as centenas de emails gritando aqui nos meus emails, pedindo socorro. EU?... Euzinha me sentia na obrigação de dar uma palavra de conforto que fosse, enquanto nababesca vivia a política local e eu me sentia cúmplice - de quem? De que lado eu me sentia? E Deus a quem respeito? E dos meus conflitos, quem cuida? E não, mil vezes não, o congelamento natural dos meus sentidos gritava em mim...

Em boca calada não entra mosca e você sublima!!!

Impossível sonhar, quero sorrir... 

Eu gosto é da alegria da poesia cantada aqui por Osvaldo Montenegro:

“Eu gosto de andar pela rua, de bater papo, de lua e de amigo engraçado. Eu gosto do volume, do perfume, do ciúme, do desvelo e de abraço apertado. Eu gosto de artistas diversos, de crianças de berço e do som do atchim. Tem gente, muita gente que eu gosto, que eu quase aposto que não gosta de mim. Eu gosto de quem sempre acredita, a violência é maldita e já foi longe demais. Eu gosto de inventar melodia, da palavra poesia e de palavra com til. Eu gosto é de beijo na boca, de cantora bem rouca e de morar no Brasil. Eu gosto assim de quem é eterno, de quem é moderno e de quem não quer ser. Eu gosto de varar madrugada, de quem conta piada e não consegue entender. Eu gosto de quem quer dar ajuda e acredita que muda o que não anda legal. Eu gosto é de ver coisa rara. A verdade na cara é do que gosto mais. Eu gosto porque assim vale a pena, a nossa vida é pequena e tá guardada em cristais."


A Flor e a Náusea (Carlos Drummond de Andrade)

Preso à minha classe e a algumas roupas,
Vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me'?
 
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas,
alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.

Em vão me tento explicar, os muros são surdos.

Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas,
consideradas sem ênfase.

Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.

Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.

Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.

Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio,
paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.

Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.

Sento-me no chão da capital do país às cinco horasda tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.

 



 

Rosinha Matuck
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