JORNAL MILENIO VIP

Colunistas - Antônio Laért

DE TUDO QUE MORA EM MIM

Publicado na edição 125 de Setembro de 2012

Me ponho a  pensar  sobre o que seja liberdade. Será que é  surfar numa onda, dominando a fúria do mar  e o requebrado de seus  movimentos? Tem horas que acho que sim, então, paro, reparo e  me  detenho na  cena, desejando isso para mim. Outras vezes  acho que  seja, quem sabe, pular  de asa delta e  voar  por aí, vendo tudo de cima. Talvez, seria ainda andar com o carro a toda velocidade, estimulado por boa música em volume correspondente  ao estado  de  ânimo do momento. Mergulhar no mar e deixar-se envolver pela água, a limpidez, a transparência, a corrente, o cheiro, a força, o movimento. Ou andar por aí errante como flâneur, sem qualquer  compromisso, parando aqui, acolá, indo, ficando ou permanecendo  ‘onde der  na telha’. Tudo isso sugere uma noção de liberdade, mas talvez não a revele, nem seja ela propriamente. Então, fazer ficção  e viajar  por aí  nas invenções da memória; Ou ainda, compor uma canção e com ela transcender para além do que há  aqui; Amar a pessoa amada do jeito mais pleno e verdadeiro. O que trago aqui dentro é bem maior que o universo, mas, como todo mundo, tenho um vazio em mim. Estar condenado a fazer escolhas é uma responsabilidade que oprime. E somos  nada, antes de optar. Por isso, talvez, essa noção de incompletude, esse aspirar por coisas maiores, por liberdade. A liberdade, é, azul, branca, vermelha ou verde? Seria jazz, música clássica, bossa nova ou rock? Truffaut, Spielberg, Fellini ou Woody Allen? Tudo isso ou muito mais? Nada disso ou aquilo tudo que me falta, sendo o que sou  e aspirando o  que  ainda quero ser. Que coisa louca, isso tudo  sobre  o qual  nada  sei, mas que a tanto aspiro, mesmo sem conseguir organizar, explicar; essa tão desejada ausência de submissão, servidão;   essa possibilidade  de isolamento, de estar sozinho até no meio da multidão; esse sentimento contraditório por  estar  condenado à liberdade. O medo  mora  mesmo perto  das  idéias   loucas.

 

 

 

 

Antônio Laért
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