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Colunistas - Antônio Seixas

Casa de Cultura Risoleta Matuck

Publicado na edição 125 de Setembro de 2012

Em nosso discurso pelos 24 anos de fundação da Academia Mageense de Letras, durante a sessão solene ocorrida em 25 de agosto de 2012, abordamos o descaso com que o Município de Magé trata a memória de filhos ilustres como Alcindo Guanabara, Antônio de Pádua e Castro, Antônio Lamego, Jerônimo de Castro Abreu Magalhães, Luis Alves de Lima e Silva e Manoel Francisco dos Santos.

Em nossa fala criticamos ainda livros e artigos publicados recentemente que alimentam lendas como a aldeia timbira em Magé ou o nascimento do barão de Iriri e da escrava Maria Conga (esta uma entidade afro-brasileira encontrada em terreiros de umbanda de norte a sul do país). A história de Magé ainda está para ser escrita dentro de uma metodologia historiográfica, sem o ufanismo que Renato Peixoto dos Santos lhe impôs com “Magé, a terra do Dedo de Deus” (1957). A história não se faz com romantismo, mas com provas concretas.

Fechando nosso discurso, diante das setenta e dois pessoas que lotavam o auditório do Polo CEDERJ-Magé, na Avenida Padre Anchieta, 163, lançamos a proposta de que o centro cultural a ser construído pela Prefeitura de Magé leve o nome de Casa de Cultura Risoleta Matuck, numa justíssima homenagem a professora e poetisa que prestou relevantes serviços à nossa comunidade.

Risoleta Goulart da Silveira Matuck, cujo centenário de nascimento se aproxima, chamada de “A Patativa de Magé”, com seus versos levou o nome de nossa cidade para além-fronteiras, sendo reconhecida nas principais academias pela inteligência e sensibilidade que empregava em seus poemas.

Nascida numa tradicional família de poetas mageenses, Risoleta Matuck foi inspetora de ensino municipal por vários anos, integrou a União Brasileira de Trovadores – seção Magé, compôs os hinos do
Colégio Estadual Visconde de Sepetiba e da Escola Municipal Noêmia Teixeira, publicou crônicas em jornais de Magé e São Gonçalo, e proferiu discursos memoráveis, como o de saudação a D. Manuel Cintra, bispo de Petrópolis, em sua primeira visita a Magé.

Até hoje Risoleta Matuck só recebeu duas homenagens públicas, uma do Município de Magé que a fez patronesse de uma escola municipal no bairro do Gandé, e outra da Academia Mageense de Letras que a fez patronesse da cadeira 36, ocupada pela psicóloga e escritora Rita de Cássia da Silva Coelho. Que venha então a Casa de Cultura Risoleta Matuck!

 

 

Antônio Seixas
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