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Colunistas - Neuza Carion

O DONO DO PODER

Publicado na edição 125 de Setembro de 2012

Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição. (Parágrafo único do artigo 1º da Constituição da República Federativa do Brasil)

O ano em que nasceram os eleitores que farão sua estréia nas urnas este ano foi um ano de eleições gerais - a primeira eleição depois do EscândaLLo e do fenômeno “caras-pintadas”, a segunda eleição direta para a Presidência da República depois dos anos de chumbo. O tema mobilizou o país ainda desacostumado ao exercício da cidadania e à liberdade de expressão.

Seguindo a tendência geral, ao longo daquele ano escrevi vários artigos sobre essas questões e, no mês anterior ao pleito, publiquei uma crônica que intitulei “De Amor e de Juventude”, na qual conclamava os jovens de então, em nome do amor à Nação, a se manifestar e participar mais ativamente. Não vou reproduzi-la aqui, até porque muito do que ali foi escrito já não corresponde à realidade atual. Alguns pontos, porém, ainda não mudaram, ou estão mudando muito lentamente, de modo que é bom relembrá-los, a começar pelo artigo da nossa Constituição citado acima.

O povo, em sua maior parte, não tem consciência de que é a razão de ser da Administração Pública e que, numa democracia, os eleitos para exercê-la são seus representantes, estão “lá” cumprindo um mandato, um dever, não no exercício de um direito divino que lhes dá poder e autoridade para decidir levando em conta convicções ou interesses particulares. A maioria dos eleitores ignora mesmo qual a função dos cargos para os quais elege representantes - incluídos também nesta ignorância boa parte dos eleitos...

Em razão desta distorção, o eleitor “vende” o voto por ninharias, argumentos falsos, planos mirabolantes e projetos de fachada. De modo geral, mesmo aqueles bem instruídos não procuram nem saber, quanto mais questionar programas de governo, não se organizam para debater e definir suas necessidades, suas prioridades e, quando o fazem, não levam a informação aos mandatários eleitos de forma sistematizada, documentada, oficial. Preferem se utilizar de meios alternativos, influências ou “esquemas”. Falta-lhes conhecimento, consciência social e consciência da própria força.

Repetindo, dezoito anos após: há quase duzentos anos proclamaram nossa independência. Mas só proclamar não resolveu. É preciso construí-la, com dignidade, respeito, responsabilidade, união, participação, inteligência.

Outros aspectos há a ponderar, mas o fundamental é este e a solução tem um único caminho, que já vem sendo trilhado com bons resultados: educação.

Por ora, bons e conscientes votos. A sorte a gente faz. Mas não sem a educação...

 

Neuza Carion
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