JORNAL MILÊNIO VIP - Ruim para uns....ótimo para outros!

Colunistas - Izaura Hart

Ruim para uns....ótimo para outros!

Publicado na edição 125 de Setembro de 2012

Os ônibus da  caravana Amor e Caridade de Petrópolis, que foram a Pedro Leopoldo (terra natal do Chico Xavier), Uberaba, Sacramento (terra do Eurípedes Barsanulfo) e Araxá  (cidade onde está localizada a magnífica obra social do Irmão Tadeu), corriam céleres de volta à cidade de onde haviam saído, quando passando por um lugarejo de nome São Tiago, ainda em Minas Gerais, tiveram uma grande surpresa: um dos pneus de um dos ônibus apresentou um  defeito que impedia o veículo de prosseguir viagem. O motorista cautelosamente ainda prosseguiu por uns 18 km em busca de um borracheiro que o pudesse socorrer. Foi em vão o seu sacrifício porque o borracheiro “estava na roça”, conforme informaram algumas das pouquíssimas pessoas que passaram pelo trecho da estrada onde os ônibus pararam. O que fazer diante de semelhante imprevisto? Os dedicados motoristas (quatro no total), não titubearam e iniciaram a faina da troca do pneu que, sem o equipamento próprio se transformou em uma verdadeira “odisséia” onde as marretadas eram ouvidas de longe a fim de que os enormes parafusos saíssem de suas respectivas roscas. O tempo foi passando... As pessoas vinham tão felizes e cheias de bons exemplos vistos nos locais visitados, que não se irritaram por não haver um banco se quer para se sentar. Algumas delas olhando para o outro lado da pista avistaram uma pequena “birosca” e, na esperança de tomarem aquele cafezinho, para lá se dirigiram.

Lá chegando se depararam com uma senhora bem idosa que informou “mineiramente” que “café ela dava e não vendia”.

A pobreza era extrema, havia uma netinha tiritando em febre sentada em uma cadeira e no interior do paupérrimo estabelecimento estava uma filha da mesma  senhora acamada.

Os que atravessaram a pista chamaram os que haviam ficado e em poucos minutos havia uma festa naquela birosquinha! Os queijos que estavam expostos foram todos vendidos, as garrafas de café grátis iam vazias e vinham cheias e todos tomavam o cafezinho amoroso daquela senhora que confessou  “não saber fazer tanta conta”. Os tapetes de crochê feitos com tiras de pano também acabaram, balas, refrigerantes.... Uma das netinhas dizia em voz alta: - Vó, nunca vi tanto dinheiro, vó!

Como eram mais ou menos 90 pessoas dentro de local tão pequeno e uma senhorinha apenas atendendo, duas caravaneiras foram para trás do balcão e auxiliaram, principalmente com relação ao troco e o interessante é que ainda convenciam o “freguês” a deixar para o estabelecimento os trocos menores que não fossem fazer muita diferença no bolso do que comprava, mas que seria muito importante para a dona do pequeno comércio em local tão ermo, tão esquecido!...

A caravana ficou ali mais ou menos por 3 horas. Já noite, prosseguiu-se viagem e todos comentavam o quanto o defeito do pneu serviu de socorro para aquela senhora tão amável, do cafezinho grátis...

Não foi em vão que o incidente aconteceu, serviu de ajuda financeira a pequena comerciante, mas serviu de lição muito profunda para quem lá esteve.

Deus não abandona a nenhum de seus filhos, as lições sempre chegam para todos e as oportunidades de ajuda também, até mesmo quando muitas vezes nos julgamos vítimas em uma situação desagradável como esta: um pneu furado, distante de casa e sem recurso para trocá-lo. Assim é a vida.

 

Izaura Hart
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