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Colunistas - Neuza Carion

Não sem educação

Publicado na edição 126 de Outubro de 2012

Li há algum tempo um artigo da jornalista Miriam Leitão, intitulado “Não sem a mulher”. É uma crônica sobre a condição feminina – um assunto que me sensibiliza e motiva, sempre. Um dos trechos que considerei mais significativos diz:“Uma sociedade não se salva sem as suas mulheres. Elas são condutoras do progresso. Não sou eu que digo, são os estudos que mostram que mães com maior escolaridade garantem que a futura geração estude mais. Pela educação, o país, como um todo, evolui.” 

Por isto, aprofundando a idéia, justifico o título acima pela dedução de que a mulher só é capaz de ser agente de mudança quando ela própria se transforma pela educação. Então o que faz a diferença, o que gera a mudança é a educação. Ela é que amplia os horizontes, afasta a miséria, eleva o nível.

Foi a capacidade de transmitir o conhecimento obtido e, a partir daí, de agir em conjunto, que permitiu ao animal racional, o primata inteligente, esta frágil espécie sem defesas naturais evidentes, ir além da condição de sobrevivente, transformar-se de nômade coletor-caçador em construtor do seu abrigo, produtor de seu alimento, fabricante de instrumentos e armas, conquistando algum controle sobre o seu ambiente e, em permanente evolução – de homo erectus, a homo sapiens, a homo sapiens sapiens – alcançar o grau de desenvolvimento a que chegou.

O conhecimento organizado e transmitido ao longo do tempo formou as Culturas e gerou as Ciências – a cujo ensino formal chamou-se de Educação. É a isto que se refere o texto acima, com o qual concordo em gênero, número e grau.  Mas precisamos ampliar o conceito de educação, que não diz respeito apenas ao que se aprende em instituições de ensino. 

Educação é preparo para a vida, em qualquer circunstância, opção ou estágio. Precisa ser vista como responsabilidade de todos, o tempo todo, não é função exclusiva do profissional de ensino e não visa exclusivamente preparar para o trabalho. É um processo que se inicia na primeira mamada, termina (talvez...) com o último suspiro e esteve presente em todos os grupos sociais desde a Pré-História, não é atividade restrita à nossa cultura, nem ao nosso tempo, nem às nossas ciências. Na verdade nem à nossa espécie... Sem ela, seria impossível a vida em qualquer sociedade. 

Também é preciso diferenciar educação de treinamento, ou mera instrução, que não capacita a fazer deduções, tirar conclusões e tomar decisões. Educar é ensinar a pensar e isto pode – e deve! - ser aprendido ainda no berço, em família. A criança capaz de pensar desde cedo, certamente terá maior aproveitamento e melhor desempenho no aprendizado formal, na escola. Será capaz de agir, não só reagir. Será melhor ser humano, melhor cidadão.

Estamos em outubro, mês em que se comemoram os dias dedicados aos dois principais personagens da educação que liberta e traz progresso: a criança e o professor. Este, profissional que forma todos os outros profissionais, aquele que informa/forma/transforma, detentor de uma função grandiosa que, quando exercida com dignidade, dedicação, amor, merece admiração e respeito. Função que tem sido muito mal compreendida, inclusive por muitos dos que a exercem. E pelo bem das crianças que, adequadamente educadas, construirão um futuro de paz, de progresso e em condições de sustentabilidade para a vida no planeta, espero que seja compreendida e restabelecida a real dimensão de seu trabalho, para que possam exercê-lo com dignidade e vê-lo novamente valorizado. 

Neuza Carion
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