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Colunistas - Antônio Laért

DE MIM QUE TANTO FALAM: OI OI OI

Publicado na edição 127 de Novembro de 2012

A novela mais assistida da televisão brasileira dos últimos tempos, Avenida Brasil, de João Emanuel Carneiro, em seu  penúltimo capítulo, fez  menção  a  Magé,  quando escolheu  nossa  cidade  como local  do cativeiro do  sequestro  de Tufão, o ídolo do Divino, o cara do bem. Em decorrência  desse  fato, inúmeras  referências  foram  feitas  por   personagens  variados da trama nesse  capítulo, que  ecoaram Brasil afora: “Meu sítio em Magé”; “Estamos no meio do nada, ninguém vai  nos  encontrar”; “Magé é  enorme”; “É muito grande”. A intrépida  Nina  saiu do Divino  com sua lambreta e chegou  rápido  a  Magé. Todos  os  mageenses  riram  e  se  incomodaram  com  essas referências. Outros  ficaram  na  dúvida entre realidade  e ficção: esse  lugar  existe mesmo ou é  mais uma invenção do autor? Ficou no ar uma satisfação por  ouvir o doce nome de  nossa  cidade na Globo, pelo Brasil e exterior afora e ao mesmo tempo  uma insatisfação por terem justo escolhido Magé como local do cativeiro, uma velada/ostensiva forma de homenagear/avacalhar. Todo mageense, por esse fato, recebeu telefonemas, comentários, e-mails, mensagens  postadas  nas  redes  sociais.  Como avaliar a questão e situar a  discussão?  Não  parece  ser  muito fácil, mas talvez  não tenhamos mesmo sido  capazes  de  criar  algo e  associá-lo positivamente à  nossa  cidade. Talvez carecemos  ainda de  uma  marca  forte  que  num  clique  venha  à  luz  e  encubra  todo o mais, o que  está  cheio e o vazio; o que  temos  e o que  nos falta.  Por isso, quero crer, continue ainda  a  caber  esses vácuos,  onde  nossa  cidade apareça  vinculada a lugar de passagem e  associada  a  infortúnio  de famosos e celebridades. Recentemente foi noticiado que  Ivan Lins  e,   pouco tempo depois, George Israel, do Kid  Abelha,  foram assaltados  na  Rio-Teresópolis, na  altura de  Magé.  O que há aqui? Parece que é um espaço vazio que preenchem como querem,  porque  não fomos até  hoje  capazes de  oferecer nada para  ocupar  esse espaço. Creio que ainda  é  tempo  de  preencher  esse  vazio. Olhemos as referências da novela sob outro viés. É impressionante como sacaneiam  nossa  cidade, como disse  um dos  e-mails que recebi, mas  o  humor, a  ironia, o sarcasmo  pode  ser  a forma mais refinada  de elogio. Nina  chegou  imediatamente  ao  local do cativeiro, tão logo orientou-se  pela  placa  que  indicava Magé. Isso revela que Magé não é local  onde  Judas  perdeu  as  botas, distante, desconhecida, inacessível. E de  Magé  a Búzios, foi um pulo. A referência de Leleco: “Magé  é  enorme”; “É muito grande”, foi a mais lisonjeira. É isso que precisamos construir.  Uma cidade grande  pelo que  produz,  faz  e dá  a conhecer.  Façamos isso todos  nós, cada um a  seu  jeito,  a seu  modo, na  sua condição, dentro  ou fora,  inserido ou à margem. O melhor riso  é  aquele  que  vai contra  nós  próprios.

 

 

 

 

 

Antônio Laért
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