JORNAL MILENIO VIP

Colunistas - Neuza Carion

DA CULTURA

Publicado na edição 127 de Novembro de 2012

No artigo publicado na edição anterior a esta, defini Educação como o meio formal de transmissão das Culturas e das Ciências. Utilizei a palavra “Cultura” no plural, para evitar um mal-entendido: habitualmente nos referimos a cultura como sinônimo de erudição, conhecimento da Filosofia, das Ciências Sociais e das manifestações de Arte clássica.

Ocorre que cultura, em sentido amplo, além do básico “ato ou efeito de cultivar” tem, entre outros, o sentido de “sistema de atitudes e modos de agir, costumes e instruções de um povo; conhecimento geral”, englobando assim todo o acervo de saberes, hábitos, modos de ver, entender, sentir e viver de povos e nações- não apenas as manifestações artísticas, mas também, por exemplo, a culinária, as diversas manifestações de religiosidade, os festejos populares, o folclore em geral.

Trata, portanto, de tudo que toma parte no processo de civilização, na caracterização da identidade nacional. Possibilita o sair do lugar-comum, das agruras da batalha diária pela subsistência e garante o sagrado direito ao repouso e ao lazer, estabelecido na Declaração dos Direitos Humanos e garantido por nossa Constituição, mas envolve muito mais: tem uma dimensão econômica, sendo fator importante no desenvolvimento sustentável. O que justifica a existência de toda uma estrutura administrativa - Ministérios, Secretarias de Estado e Municipais, Fundações, autarquias, além das ONG’s e dos empreendimentos da iniciativa privada – girando em torno das manifestações culturais, gerando trabalho e renda.

Estamos no século 21, em tempos de informação livre, imediata e amplamente difundida. Tempos de globalização e internet, redes sociais, interatividade, intercâmbio. Tempos de Halloween no Rio de Janeiro, Carnaval em Nova Iorque, Bossa Nova no Japão, festival de Cosplay em São Paulo, Rock in Rio em Lisboa e Madri; capoeira nos EUA e octógonos de Mixed Martial Arts pelo mundo, as culturas locais se universalizando e sendo consumidas como churrasco, hot dog, sushi, sashimi, tempura, quiche, croissant, pizza, Coca-Cola, caipivodca. Enfim, tudo junto e misturado.

O que nos leva a uma questão bastante delicada: a preservação da pureza das culturas, da informação sobre suas origens e bases (sua força!) e da identidade dos povos - sem perder comunicabilidade e participação nos benefícios proporcionados pelos avanços tecnológicos e sociais compartilhados.

Mas isto é um questionamento para análise e debate futuros, porque extensos, complexos e porque devem ser conduzidos por quem tenha muito mais estofo que esta curiosa que ousa vos escrever.

Neuza Carion
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