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Colunistas - Nadja Natan

Arte nas ruas

Publicado na edição 128 de Dezembro de 2012

Em uma palestra do TED (Tecnologia, Entretenimento e Design) David Binder, um conhecido produtor de teatro americano, fala sobre o novo festival do teatro  e das artes em geral. Numa viagem a Sydney, na Australia, ele descobriu que em um bairro chamado Minto, os moradores dançavam e atuavam em seus próprios jardins e a diversão era geral. O show nesse subúrbio de Sydney chamava-se “Minto ao Vivo” e o que acontece nesse tipo de show é que as ruas tornam-se o palco para os shows criados por artistas ou uma companhia teatral em colaboração com os residentes. Para assistir os shows as pessoas andam pela vizinhança, de casa em casa, e os residentes, os próprios artistas, saem de suas casas e atuam ali mesmo: seus jardins são os palcos. E David Binder observou é que os vizinhos também entravam de parceria no show, de maneira ingênua, alegre e espontânea. As pessoas não se continham e participavam. Ele fala que enquanto circulava nas ruas ele ficou pasmo e comovido com o senso de identidade da comunidade de Minto. Era uma comemoração artística local do século 21. Festivais abertos como este podem transformar a comunidade, porque as pessoas locais tornam-se os atores, os protagonistas e os espectadores. A imaginação, o talento e a energia vibrante das artes ficam livres para serem apresentadas em lugares públicos, em estações de ônibus, nas vitrines, em uma sala de aula – em frente a nossa casa!

E é claro que ele toca no assunto do advento da Internet ter mudado as formas de expressões artísticas dessa nossa comunidade global.

E por que estou falando sobre isto? Porque acho que cidades como Magé, Petrópolis e outras com histórias ricas e cultura popular poderiam se abrir e proporcionar seus moradores com a alegria e exuberância que a arte pode oferecer. Lembram-se dos carnavais de rua de antigamente? Que modelo de arte de rua! E parece que um pouco disso já começou em Magé com o teatro de rua. Penso que esta é uma maneira de podermos entrar em contato com nossa cultura e com a cultura do outro e, mais importante ainda, uma possibilidade de podermos influenciar nossos jovens a participar e explorar a vida e história local usando suas próprias vozes. Artistas são exploradores e os jovens também. Um projeto assim poderia servir de plataforma para redescobrirmos nossas cidades, onde platéias e artistas capturam algo novo ou simplesmente celebram o quotidiano. A arte faz bem ao coração e à alma da gente. Um grande fim de ano e muitas celebrações para todos os leitores do Milênio.

Nadja Natan
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