JORNAL MILENIO VIP

Colunistas - Neuza Carion

FELIZ VIDA NOVA

Publicado na edição 129 de Janeiro de 2013

 E o mundo, afinal, não acabou... Alguns bilhões de anos ainda estão por vir antes do fim natural, previsto pela Ciência. Isto, se não houver interferências – externas ou internas – seja por um asteróide, seja pela ação de certa espécie “superior” que, como os vírus, consome seu hospedeiro determinando seu próprio fim, obviamente...

Pois pior que a idéia da extinção da raça humana – talvez da vida ou do próprio planeta – por uma catástrofe, é a visão do lento e cruel extermínio do homem pelo homem. Não apenas por guerras e desastres provocados, mas pelas novas formas de viver em bases estranhas ao que até agora garantiu subsistência e sobrevivência.

De modo geral o homem, individualmente, já não é capaz de produzir sua própria alimentação, nem seu agasalho, nem seu abrigo: é totalmente dependente do trabalho alheio. Por isto não deveria esquecer porque e como (ainda) está aqui, nem o que é, se quiser permanecer e ser feliz. No entanto, nossa globalizada sociedade está cada vez mais individualista, competitiva, mercantilista, consumista e estimula uma visão estreita da vida.

Parece que toda a facilidade e conveniência conquistadas pelo conhecimento acumulado ao longo dos séculos fazem o ser humano esquecer que ele é um processo e parte de um processo contínuo, que o precede e sobrevive a ele. Ele se vê com um poder - que até certo ponto é real e transcendente - mas na verdade não resiste ao que meu sábio amigo Aluizio Sturm chama de “o bichinho que três vezes por dia ronca dentro da sua barriga”...

E a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte. Sem comida o corpo definha e sucumbe. Sem diversão e arte a alma desespera e embrutece. É preciso que as antigas artes e ofícios de sustentar o corpo e alimentar o espírito não sejam esquecidas.

Esta sociedade que, afinal, se mobiliza para evitar e minimizar os efeitos das incontroláveis catástrofes naturais deveria ao menos tomar consciência de que suas atitudes, com relação à própria sociedade, têm um poder de destruição talvez maior, porque insidioso e constante. Seja no cuidado de cada um com sua própria saúde, sua segurança, seja no trato com o outro. Somos essencialmente frágeis e o que fez nossa espécie possível foi a união, o apoio do grupo. Sozinhos, somo pó do pó, folha ao vento, inseto na teia, casquinha de noz na correnteza.

E o mundo não acabou. Mas um ciclo – seja o do calendário Maia, seja o do Gregoriano – sim. Vamos então pensar em reinaugurar um estilo de vida, rever rotas e rotinas, para que os novos tempos sejam de saúde, paz e amor.

Neuza Carion
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