JORNAL MILÊNIO VIP - A VIDA SECRETA DAS PALAVRAS

Colunistas - Antônio Laért

A VIDA SECRETA DAS PALAVRAS

Publicado na edição 129 de Janeiro de 2013

O escritor, aquele que escreve textos, sempre conserva o desejo oculto  de  escrever  um  texto  especial, tão magnífico  que  todo  leitor  comente,  faça referências,  traga-o  consigo de  cor,  recite  palavra por palavra, linha por  linha em situações  especiais. Mas isso não é nada fácil. É tarefa reservada  a  poucos. Muitas vezes o que  existe  entre  escritor  e  leitor  é  um  abismo.  Escreve-se à direita e o leitor vislumbra no texto algo progressista, de  esquerda.  Pontua-se alguma  coisa  ao  norte  e  o leitor  vê  nisso  marcas  e  sinais  do  sul. Um  abismo  atrai  outro  abismo, ao sabor das  cascatas, como está  dito. De minha parte  não  tem sido  diferente. Comentam comigo: olha gostei  tanto  daquele  pensamento  com  que você  abriu  o texto, achei sensacional. Sobre  o texto em si,  nenhuma  observação, palavra, comentário desse  leitor entusiasmado. É comum  ouvir  ainda  algo  do tipo:  gosto  muito  de  seus  textos, mas  não  entendo  nada do que  você  diz! Eu, pobre escritor, fico sempre na dúvida  se a observação  é um estímulo para  prosseguir  ou  um  toque  para  encerrar  logo essa  aventura precoce pelas  letras.  Vejo o quanto o sentido das  palavras  é  indefinível  e  insondável  é  a intenção do autor – um balão sem direção perdido no céu. Prossigo, contudo, porque como não  tenho qualquer  propósito, a nada  me  propus  e  espero, tudo acaba  sendo lucro. Com efeito, é uma necessidade fundamental dividir  o  que  o  tempo  acumulou em  mim.  Um ato afetuoso  colocar  isso em  comum.  Sei que o papel do leitor  é  tão  importante  quanto o do  colunista. Por  isso me  sinto feliz em tangenciar  temas  e alvejar outros  assuntos  que  possam pelo menos dar pistas,  iluminar  caminhos,  abrir  frestas, gerar  novas  paixões. Tenho por certo que é a  arte  que os  levará além.  Ela me  levou -  música, literatura, teatro, cinema, artes plásticas, arquitetura. Conseguir superar nossa própria defesa é o plano mais  saudável. As únicas fronteiras são as que nós mesmos  levantamos. A arte é  a chance  que  o homem tem  de  vivenciar a experiência  de  um  mundo além da necessidade. Comece 2013 pelo começo. Invista em você. Fale de seus discos, filmes, peças, livros preferidos; recite seu  texto e  poema de preferência, reúna  os  amigos para  cantar. Não existem mais desculpas que justifiquem o desconhecimento, apenas o autêntico e válido desinteresse. Um dia ainda, quem sabe,  falaremos  mais  sobre  isso.

 

 

Antônio Laért
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