JORNAL MILENIO VIP

Colunistas - Neuza Carion

LIBERDADE, ENFIM!

Publicado na edição 88 de Janeiro de 2009

Começamos discutindo o medo e seu papel em nossas vidas. Na sequência procuramos entender as causas e origens do que aflige nossa sociedade, esperando que a compreensão nos leve a minimizar as conseqüências. No percurso falou-se de diferenças, ruptura, distanciamento, ignorância, incompreensão, intolerância. Em um oportuno desvio surgiu o tema: Liberdade. E ainda há o que se dizer sobre ela? Claro, sempre! Nada há de novo sob o Sol, mas novas circunstâncias pedem um novo olhar.
Para começar, há uma incompreensão, ou interpretação equivocada: liberdade não é apenas o direito de todos fazerem (ou não fazerem) tudo o que (quando, como) quiserem. Se assim entendermos, estaremos estabelecendo o caos. Liberdade é o estado natural de todos os seres, mas não foge da lei de causa e efeito. A ordem natural coloca segurança e sobrevivência acima da pura satisfação de desejos. Liberdade, por si só, não tem o dom de agregar – ao contrário, dispersa. Por isto, inerente ao conceito de liberdade está o de responsabilidade: um por todos e todos por um. Também podemos chamar de Fraternidade, o ideal ainda não alcançado entre os propostos pela Revolução Francesa - sendo os outros dois a Liberdade e a Igualdade.
No pós-moderno século 21 a sociedade global majoritariamente busca o ideal de democracia que se define justamente pelos conceitos acima. Mas a essência humana não muda. Responsabilidade exige esforço, empenho, às vezes sacrifício e, apesar de todo o conhecimento disponível (on line, on time, full time) e das garantias universais dos direitos básicos, ainda há quem, de um lado, prefira a falsa segurança da dependência e, de outro lado, quem necessite da embriaguez do poder; há quem nada queira saber e se deixe levar; há os que compram e os que se vendem.
Falamos anteriormente (e daí surgiu o tema) que ao buscar a satisfação de nossas necessidades, nos agrupamos como manada ou rebanho, considerando a independência e auto-determinação da primeira e a falta de opções do segundo, propriedade de quem é dono de seu destino, sua vida e sua morte. Ambos – ainda que de forma inconsciente - tem força e poder, mas o rebanho perde a capacidade de exercê-los.
Já nós, humanos, não podemos fugir de nossa consciência e o preço que ela nos cobra é a revolta, mesmo que cega e surda, inconsciente, dirigida contra aqueles a quem, ainda que voluntariamente, nos submetemos. O que nos leva de volta ao assunto principal, na próxima edição. Até lá.

Neuza Carion
Conheça o perfil pessoal de nosso colunista ou outros artigos publicados por ele
Clique Aqui