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Colunistas - Ivone Boechat

Mamãe, tudo bem?

Publicado na edição 130 de Maio de 2013

É comum o telefone tocar, periodicamente, e do outro lado da linha, uma voz perguntar: - Mamãe, tudo bem? E a resposta vem, carinhosamente: - É você, meu filho - tudo bem?

Parece que o filho está muito preocupado com a mãe, porque faz sempre a mesma coisa: liga; conversa muito; conta das promoções no emprego; fala das maravilhosas viagens pelo Brasil e no exterior; promete que no Dia das Mães não vai faltar; é atencioso e mostra-se um grande filho, principalmente nos dias de festa. Enquanto isto, não é capaz de pesquisar se a mãe está vivendo, realmente, muito bem.

Geralmente, as mães vivem, hoje, uma grande crise de sobrevivência: aposentadoria ridícula - as que pagam aluguel estão muito ansiosas e, praticamente a maioria delas não poderia dizer que está tudo bem. Contar que as coisas estão difíceis preocuparia ao amado filho, e elas, por amor, não revelam a situação.

É raro o filho que se sensibiliza com as dificuldades da mãe. Como viver muito feliz, recebendo apenas alguns pequenos presentes, durante o ano? Mas é assim que muitas mães vivem: de passados e ridículos presentes. Desculpas para não se importar com as mães? São muitas:

  • Não posso ajudar à mamãe, porque agora tenho minha família.
  • Não posso visitar minha mãe, porque estou cansado, acabo de chegar de outra viagem internacional...


Estas, e outras, que não chegam a convencer a ninguém. Aquela frágil mulher-mãe desdobrou-se e foi capaz de trabalhar para sustentar muitos filhos, e agora, não pode contar, muitas vezes, com nenhum deles.

A educação tem falhado, sistematicamente, todas as vezes que a família deixa, à mercê da miséria, a mãe. Que amor é este que se ensina, incapaz de deixar perceber a dificuldade do outro?

As características do amor revelam-se na capacidade de doar; de dividir o pão; de abrigar; de cuidar, na alegria ou na tristeza; de estender a mão e adivinhar o que o outro precisa, antecipando-se ao pedido. Toda mãe tem vergonha de pedir para ela, mas é capaz de mendigar para o filho.

Sem cobrança nenhuma: das noites sem dormir; da lágrima no travesseiro; de renunciar à própria vida, o tape de cada história está gravado no coração de toda mãe e maior que a dor do parto é a dor da ingratidão.

Perguntar se está tudo bem não corresponde ao milagre de decidir, de agora em diante, a oferecer um pouco de conforto e conferir se a mãe está conseguindo vencer o desafio diário de alimentar-se, ir ao médico, vestir-se, e viver sozinha, o que é muito pior.

A maior homenagem que o filho pode prestar à sua mãe é lutar para que ela tenha o mínimo de dignidade, enquanto viver. É proporcionar para que tudo vá muito bem.

Ivone Boechat
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