JORNAL MILENIO VIP

Colunistas - Rosinha Matuck

09 DE JUNHO DE 2013

Publicado na edição 131 de Junho de 2013

Há alguns anos publiquei matéria abaixo no jornal JR Notícias. Quase duas décadas se passaram e muito pouco mudou. Por isto decidi republicá-la, num convite à reflexão sobre como todos nós - governantes e munícipes – nos omitimos quanto à nossa responsabilidade de cidadãos mageenses e, nas grandes oportunidades que nos apresentam, só pensamos em nos dar bem, ou olhamos apenas para nossos umbigos. Daí, sob o protesto do povo, Magé morre mais um pouco...

SOS 09 DE JUNHO (de 1997...)

Próximo ao dia 09 de junho escolhi para falar de Piedade e de Anchieta, dois símbolos polêmicos que dividem as opiniões em nossa cidade, até porque, quem, além do Dario, que se interessou em pesquisar e brigar pela verdadeira história de Magé e seu fundador, quem mais?

Dezenas de escolas de 1º e 2º graus, uma Academia de Letras (?), uma Biblioteca Pública em Piabetá, Secretaria de Educação(?), outra de Cultura, aliás, sempre estiveram presentes no município e nenhuma pesquisa séria, somente nhém, nhém, nhém imediatista, sem nenhum conteúdo em profundidade. Enfim, voltemos ao assunto. Primeiro, falarei de Piedade, marco fundamental da cidade (é só pesquisar). Vergonha e descaso de quase todos os governos municipais incluindo o morro de Piedade que é de propriedade de um ex-prefeito (falecido). Oito dias antes da fundação do Rio de Janeiro, em 1565, esteve aqui o noviço Anchieta, o padre Nóbrega e o padre Diogo de Oliveira. Percorrera todo o fundo da Guanabara e anotaram os nomes indígenas, que mais tarde o padre Oliveira apresentava a Estácio de Sá, reclamando a sesmaria (pedaço de terra doado ao colonizador em nome do Rei). Destas conclusões históricas nasceu Magepe e em seguida Magé, atribuída a Anchieta. Mas isso é história.

Estamos no limiar do ano 2.000, 500 anos do descobrimento do Brasil e 431 de Magé. O morro segue e sua estória atual de omissão, descaso e abandono. A prefeitura não disciplina ou ordena o assentamento urbano, os posseiros tomaram conta do lugar quebrando toda a memória histórica do mesmo. O mercado dos escravos, o velho hotel do Barão de Arairoca, o Convento do Carmo que conheci através dos livros de história se somam ao crime de destruir a velha estação da estrada Piedade – Teresópolis, que está fazendo 100 anos. Tudo destruído e nem sua memória foi resgatada! Além disso, tudo poluído. A natureza e os mangues desaparecendo, o caranguejo e o siri pescados na desova sendo extintos e nenhuma providência sendo tomada. O Poço Bento, lugar turístico, que poderia ser chamariz do turismo nacional e quiçá internacional, depredado, invadido e abandonado com sua fonte milagrosa correndo o risco de ser contaminada com coliformes fecais. Piedade já foi cenário do primeiro engenho de açúcar de Cristóvão de Barros e nem  o nome dele, o fundador do lugar registramos. Aproxima-se 09/06, dia marcante historicamente para Magé, não está dando pra gritar, estou exausta! Mas esperamos que, com a instalação do Conselho de Cultura nesta semana em sessão solene na Câmara Municipal, Deus ilumine as mentes dos conselheiros previamente escolhidos e interessados e tirem esse marasmo estarrecedor de ordem e dignidade a nossa memória, para assim tentarmos construir um futuro mais justo e digno para Magé!

Rosinha Matuck
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