JORNAL MILÊNIO VIP - A Praça

Colunistas - Neuza Carion

A Praça

Publicado na edição 131 de Junho de 2013

No último Dia das Mães minha família optou por comemorar a data num restaurante, em Magé. Já estávamos nos dispersando quando uma cena me chamou a atenção: minhas netas, de sete e três anos, que moram no Rio, descobriam a praça da prefeitura. Corriam, pulavam, observavam tudo à sua volta, soltas, livres, seguras... E eu, que passo ali quase todo dia, fui engolida por uma enxurrada de mais de trinta anos de memórias.

Nesta praça meus filhos – todos, cada qual a seu tempo - brincaram e aguardaram a hora de voltar para casa - primeiro na saída da escola, mais tarde na saída dos bailes. Nos seus bancos, os papos com os amigos e as primeiras paqueras da adolescência.

No seu entorno, marcos de nossas vidas que agora são só lembrança: o Colégio Rui Barbosa (onde os mais velhos estudaram);  o Judô Clube Fuji-Yama (onde meu marido deu aulas de karatê); o desfile cívico escolar no aniversário da cidade - o palanque das autoridades era levantado ali; os pontos de encontro: o bar do Tostines, Petiscos no Espeto, Rangueria, La Tortta (que saudade!).

Também por ali fica o local do primeiro emprego do meu filho caçula e, do outro lado da praça, em sala cedida por um amigo, no início dos anos 1990 funcionou por algum tempo o escritório da minha revista Guia & Cia – cuja editoração era feita logo adiante, no jornal O Gazetão. Não por acaso a coluna jovem da revista se chamava “O Outro Lado Da Praça”...

Estas lembranças, entre muitas outras, falam do significado da praça na vida da minha família, como um ícone. Mas não é só para mim: muito já ouvi dizer que ela foi o quintal da casa dos moradores das proximidades – dito com gratidão, porque oferecia, como ainda oferece, um espaço amplo e seguro para lazer e socialização nos estreitos limites urbanos.

Em verdade, houve um tempo em que a Praça Doutor Nilo Peçanha foi o centro nervoso e o coração da cidade, além de seu centro administrativo – amigos, eu vi! Houve tempo de cinema na praça, de feiras de artesanato, de rodas de capoeira, de Festa do Leite, de carnavais, de desfiles cívicos e desfiles de moda, de apresentações de bandas escolares e mais, muito mais. Houve até uma biblioteca!

Ao ver Luiza e Clara ali na praça, encantadas, felizes - exatamente como vi a mãe delas, aos dois anos de idade - tive a convicção de termos, meu marido e eu, feito a escolha certa ao vir para cá e aqui criar nossa família.

E vislumbrei o que o poeta Mário Marinho diz em seu poema “Magé, Memórias”:

... e as crianças correm soltas para o futuro, suponho...
E eu sento, preguiçoso e lasso, nessa praça onde
explodem os sonhos.   

Neuza Carion
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