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Colunistas - Antônio Seixas

O POÇO DE MARIA CONGA

Publicado na edição 131 de Junho de 2013

 

Em novembro de 2012, a convite da Coordenadoria da Igualdade Racial de Magé, proferi palestra no auditório da Unigranrio, abordando “Os Lugares de Memória da Escravidão em Magé”, resultado parcial da pesquisa que desenvolvo, há pelo menos quinze anos, centrada nos critérios metodológicos estabelecidos pela UNESCO no projeto “Rota do Escravo: Resistência, Herança e Liberdade”, criado em 1994.

Ao falar sobre os quilombos no território mageense, li para os presentes uma notícia interessante: numa edição do jornal Correio de Magé, referente ao mês de julho de 1905, dezessete anos após a abolição da escravatura, consta o informe do aguadeiro Antônio Ferreira Guimarães de que está fornecendo água à população de Magé coletada no “poço do finado Domingos português, e nascente da afamada fonte de Maria Conga”. O poço e a nascente de Maria Conga, que deram origem ao bairro do mesmo nome, chegaram aos nossos dias, apesar de no local existir hoje um curral de bois, e merecem ser preservados, pelo valor histórico que representam.

Desde maio de 2007 a comunidade quilombola do bairro de Maria Conga é reconhecida pela Fundação Cultural Palmares, órgão vinculado ao Ministério da Cultura, e com a transformação do poço de Maria Conga em um parque municipal, como sugeri naquela oportunidade, o Município de Magé estaria dando a sua contribuição à preservação de nossa história.

A Lei Estadual n.º 2.471, de 06 de dezembro de 1995, declara como tombados os sítios detentores de reminiscências históricas dos antigos quilombos. Assim, compete a Prefeitura Municipal de Magé apenas desapropriar a área, delimitando-a, para transformá-la em um monumento à memória da escravidão.

Antônio Seixas
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