JORNAL MILENIO VIP

Colunistas - Antônio Laért

NEM O FIM, NEM O PRINCÍPIO, APENAS UM POUCO TARDE

Publicado na edição 131 de Junho de 2013

Um historiador inglês disse numa  conferência que  as  cidades,  tal como  os  seres humanos, possuem um DNA, um  código genético. O DNA, como se sabe, é  um composto orgânico cujas moléculas contêm as instruções genéticas que coordenam o desenvolvimento e funcionamento de todos os seres vivos e de alguns vírus. O seu principal papel é armazenar as informações necessárias para a  construção das  proteínas  e  RNAs. Fico a me  perguntar, se  é  assim,  qual  seria  o  DNA  de  Magé,  o  código  genético  de  meu  torrão natal,  no  momento  exato em que  completa   448  anos  de  fundação ?  Confesso  que  a  reposta  à  queima  roupa é  difícil. Tenho a visto tão  destratada,  entra prefeito, sai prefeito; entram vereadores, saem  vereadores, com  câmara  de 17 cadeiras,  que  num  primeiro momento,  sem  maior  reflexão,  arriscaria  até dizer que o  desalento poderia ser a instrução  genética transmitida. Mas não! Para além desses  sinais,  creio  que  o  código  genético  de  nossa  terra  seja  construir  no recôncavo da  baia de  Guanabara,  um  paraíso  na  terra  -  isso,  aliás,  deveria  ser  a  finalidade de  toda  cidade. O ser  humano, com efeito,  aprisiona  um  lugar  para  viver,  para  nele  ser  feliz, para ali encontrar espelhado  sua  visão de mundo ideal.  Conquanto nesses 448 não tenhamos sido  tão   competentes  para  chegar  a  esse  estado  de  coisas,  existe  ainda  caminho  para  caminhar  e  a  esperança  e  a  utopia  são  instrumentos  de  importância nos passos  com que  ainda  temos  que  marcar  o caminho. Magé nasceu para ser grande, não do tamanho de sua altura, nem  de  sua  extensão,  mas do que vê  e do  que vêem  seus filhos. Pessoas  que   não  gostam   e  não   amam  nosso lugar, apequenaram-no, deixando desenvolver-se nele apenas alguns vírus  traçoeiros  que  se  multiplicaram  e  tomaram partes  essenciais de  seu corpo. É hora  de  deixar  revelar-se, vir  à tona a instrução que  prenuncia o   desenvolvimento e funcionamento de  nossa  cidade. Abrir  espaço para  manifestar-se  a  vitalidade escondida na  instrução  genética recebida desde a  bem sucedida  ocupação territorial de  Cristóvão de  Barros. Existe  um  destino  a  se  cumprir, enquanto a  chama  arder e   ainda existir o  arco  de  promessa para  ser  o que for  e  ser  tudo.  Não  adiemos   mais  o sonho inacabado.

Antônio Laért
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