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Colunistas - Roberto Silva de Siqueira

Ao final vai sobrar para Magé o lixo? Pior, dos outros?

Publicado na edição 130 de Maio de 2013

Como mageense chato e sonhador, acredito naquela estória de que uma andorinha no incêndio com uma gota dágua no bico e etc. pode fazer a diferença. Bem, quem é da antiga conhece a estória, os mais novos que procurem no Dr. Google. Participo de alguns Conselhos Municipais; da Agenda 21 Magé; da ACIAMA; da OAB-Magé; do CONDEMA (Conselho de Meio Ambiente de Magé) e, por conta destas participações, no início deste ano de 2013, presenciei uma apresentação realizada por representante da empresa TERRA AMBIENTAL E INCORPORADORA LTDA, empresa ligada ao GRUPO MARCA CONSTRUTORA E SERVIÇOS LTDA, informando sobre a chegada de um empreendimento privado em que seria instalado o Centro de Tratamento e Disposição Final de Resíduos Terra Ambiental - CTR Terra Ambiental.

Recebemos as explicações sobre o empreendimento, um DVD com o EIA - Estudo de Impacto Ambiental, o qual disponibilizo para quem quiser uma cópia em meu escritório: Rua Dr. Domingos Bellizzi nº28, térreo, Centro, Magé - RJ (perto da Prefeitura), traga um DVD.

Recebemos a informação de que o licenciamento só depende do INEA, ou seja, o Município de Magé esta excluído do processo licenciatório e que, a qualquer momento, seria realizada uma audiência pública por exigência do INEA.

Em resumo, prato feito, goela abaixo dos mageense. Já vimos esta história com outras empresas que chegaram via INEA, uma delas deixa um cheiro no ar com hora certa. Engraçado, sempre depois que anoitece. Mistério, o que acontece à noite que não acontece na luz do dia?

A propósito, com relação ao EIA do CTR, os dados estão à disposição no INEA no Centro do Rio de Janeiro, fácil fácil da população de Magé ter acesso. Vai vendo.

Cópia do EIA também foi remetida para o Executivo e o Legislativo do Município. Pergunta-se, o que pensam nossos dirigentes e legisladores a respeito?

O CTR que virá, será instalado em Mauá, dentro de APA Estrela, ao lado do Rio Inhomirim e receberá lixo de todo Estado do Rio de Janeiro ou de quem quiser pagar para livrar-se de seu lixo. É um empreendimento que pela natureza, trás implícito um risco com potencial para impactar o nosso meio ambiente.

Há notícias de estudos indicando que o local onde serão depositados os resíduos fica em cima de um aquífero, local com grande reserva de água potável subterrâneo.

Trará uma baixa taxa de empregabilidade, algo em torno de 500 empregos diretos, a maioria deles de extrema qualificação, restando poucos para a população de Magé.

Não se pode dizer que este empreendimento, por si só é nocivo para Magé. Porém, algumas perguntas, dentre várias, precisam ser respondidas: - O local é o mais adequado? - Quais as contrapartidas que o Município receberá? - O lixo de Magé poderá ser depositado neste CTR a custo zero ou teremos que pagar para utilizá-lo? - O que pensam nossas autoridades a respeito? São favoráveis ou não ao empreendimento? Se não, o que pretendem fazer para proteger os interesses de Magé?

No momento, o que mais se precisa sobre o assunto são informações, e informações técnicas, não o que Eu ou Você leitor sentimos e achamos a respeito mas, como, tecnicamente e cientificamente teremos a certeza da segurança em abrigar em nossas terras um empreendimento de tal vulto e potencial poluidor? Temos que nos preparar para a audiência pública.

Pelo visto, até agora, tal tarefa parece que ficará com a sociedade civil organizada que aos poucos se mobiliza em torno do assunto. E Você Leitor, como se posiciona a respeito?

Roberto Silva de Siqueira
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