JORNAL MILÊNIO VIP - ISTO ACONTECE EM PLENO SÉCULO XXI....

Colunistas - Izaura Hart

ISTO ACONTECE EM PLENO SÉCULO XXI....

Publicado na edição 132 de Julho/Agosto de 2013

Você já parou para pensar  o quanto dói uma surra?

Pense  também que ela deve doer muito mais  na criança que apanha sem entender o porquê  daquela selvageria.

Nossas leis progrediram e graças a Deus podemos denunciar não só o espancamento de mulheres por seus parceiros, mas os pais que espancam seus filhos!

A criança  quebra objetos, responde mal, mente, não estuda o quanto deveria estudar e tira notas baixas, bate nos amiguinhos e irmãozinhos. Nada disso é digno de aplausos, precisamos corrigir, ensinar boas maneiras, mas sem fazer uso da violência!

Lembro-me de meu querido avô materno, pessoa de poucas letras, mas de profunda sabedoria: quando havia algo de errado no comportamento dos filhos e dos netos, ele chamava para conversar “em particular”. Falava baixinho, contava casos e histórias e no final de tudo o aprendiz estava emocionado até às lágrimas e temia rescindir naquele  erro!

Conversem com seus filhos, se a conversa não resultar positivamente e a criança não melhorar sua conduta, use do chamado “castigo” onde a criança  deverá  pensar sobre o que fez. Veja qualidades que a criança possua, estimule  essas qualidades, valorize o bem que está dentro dela,
 mas não aja com espancamentos e torturas psicológicas.

Há alguns meses ouvi um senhor dizendo que quando soube que seu filho estava “matando aula”, ele não conversou: quando o menino  que  já era quase um  adolescente entrou em casa ele o agarrou e deu uma surra que ficou até cansado. O menino todo marcado fugiu de casa, dormiu na rua aquela noite e nunca mais voltou. Hoje ele sabe que aquele menino é um homem, que sofreu muito, mas que é bem sucedido. E eu lhe perguntei: - O senhor procurou saber se era realmente o seu filho quem estava “matando aula” ou o motivo pelo qual ele estaria tendo aquela atitude? E ele me respondeu que ‘não” e que hoje ele se arrepende, já que precisa da ajuda do filho e que não tem como manter contato com ele, pois ignora seu endereço, etc.

O que lamentamos profundamente é que apesar de tantas informações e facilidades do mundo moderno, ainda acontecem muito não apenas “surras”, mas “espancamentos” em crianças. Nesses momentos os pais agressores colocam na força das mãos não o desejo de educar em sua limitação intelectual, mas sua ira, seu desamor pelo mundo, sua descrença na vida, sua revolta com seu patrão, sua indignação com o governo, enfim, todas as suas frustrações. A criança, dependente daquele adulto, indefesa, suporta a humilhação e “engole” o desaforo, mas e depois? Que tipo de adulto será? O que podemos esperar de uma criança espancada rotineiramente?

Na primeira semana de julho, em um bairro bem central de nossa cidade, não longe da Delegacia de Polícia e do batalhão da PM, houve um episódio de “verdadeira tortura” com uma criança.

“Os bons são tímidos” , mas precisam deixar de ser! Vamos combater o mal, vamos plantar o bem! Em um momento como esse, procuremos as autoridades, o sigilo será preservado seguramente e o agressor pelo menos levará “um susto” e da próxima vez aprenderá a resolver seu problema de  forma mais equilibrada ou a educar seu filho usando métodos adequados.

                                                      

Izaura Hart
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