JORNAL MILENIO VIP

Colunistas - Rosinha Matuck

Remoendo Meus Miolos

Publicado na edição 133 de Setembro de 2013

“E os vivos o levarão no coração.” – Cohêlet, 7:2

“A alma nunca morre.” – O Rebe

Li outra frase esta semana que adoto aqui nesse momento: “Saudade deixa de ser dor e vira história pra contar e guardar pra sempre, porque de alguma forma todas as pessoas são eternas". Quantas histórias vivemos com cada amigo que “perdemos”...  Perdida dentro de um ônibus, numa longa viagem do Rio a Magé, voei para anos bem distantes. Instinto de defesa me pareceu na hora, pois a longa demora em chegar me trouxe deliciosas lembranças que jamais voltarão e que viraram histórias.

Barra da Tijuca, década de 70. Vivia lá. A Barra de ontem nada tem haver com a Barra de hoje. Apenas, que eu lembre, dois motéis continuam firmes e o Bar do Osvaldo, das deliciosas batidinhas, as ruas Vitor Konder , Flaming , a Estrada do Joá e é claro a praia . Torrávamos nos fim de semana. Tatá levava um isopor cheio de cervejinhas e refrigerantes e, como bebíamos água, mas o must era ficar negra com a marquinha do biquini . Era o máximo ir pra casa da Regina do Tatá e da Romildinha e, lá, encontrar Eliane.  Tudo por conta de minha ex-babá, a Glória, que depois foi babá da Regina, e que me enturmou na casa.

Casa?  Palacete pra época, eu a via assim. A rua ainda hoje se chame Conde D’Eu, uma casa avarandada de pedras verdes que ninguém tinha na época. Bebíamos água em copos de cristal que Tatá tilintava com as unhas pra mostrar que o cristal era de boa qualidade. Comiamos e bebíamos como princesas.

À noite saímos pela praia deserta e eu, enrolada em lençóis brancos, tentava assustar os casais em suas corridas submarinas. Puro deserto e lá íamos nós, de “fuquinha vermelho” como era chamado o carro da Romildinha, com quem o irmão, Paulo Cesar, tanto implicava por dirigir tão devagar. Dizia que se a subida pro Alto congestionava no fim de semana , era ela que atravancava o trânsito . Ela nem ligava! Chegávamos em casa depois das artes pela praia, ou numa paradinha na Farmácia Piaui ,ou pizzaria e religiosamente antes de dormir comíamos uma maçã. 

Dormíamos as três no mesmo quarto. Fim de semana , Salgueiro era a pedida certa. Carnaval era no Monte Líbano ou Sírio Libanês, devidamente fantasiadas,  lindamente em cima das mesas que o Tatá comprava. A TV nos localizava logo e quando chegava em Magé todos tinham me visto. O maior barato. Eu? me sentia!

Vivi lá com essa família alguns anos, de  momentos memoráveis e inesquecíveis. Regina casou e  é dona do Mopi, tem filhos e netos, vive viajando ... Eliane, dois filhos adultos, músicos violinistas. Romildinha morreu há muito e Tatá, que tanto eu queria ver, casou com outra e esta semana morreu. Não fui ao velório, talvez por esta razão esteja tão triste e escrevendo está linda história que vivi ao lado dessa família tão querida e especial em minha vida!

Descanse em Paz Tatá! Você morreu como um passarinho, em sua varanda, vendo o mar, silenciosamente. Perdoe-me!

Rosinha Matuck
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