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Colunistas - Roberto Silva de Siqueira

Ciclovia em Magé. O que dizer. O que pensar?

Publicado na edição 133 de Setembro de 2013

 

Ciclovia em Magé. Quer coisa mais nova do que isso? Veio chegando devagarzinho, literalmente na calada da noite, tomando forma, recebendo a cor vermelha, olhos de gato para demarcar seus limites e... pronto! A ciclovia está instalada e inaugurada.

Pronto, como na novela Saramandaia, dividida entre os que querem mudar o nome da cidade e os que não querem. Ou como a discussão entre o poeta e o esfomeado na música dos Paralamas do Sucesso, um dividido entre o busto e outro pelo rabo da sereia. Assim podemos falar da ciclovia em Magé. O medo do novo.

Sim, tudo o que é novo, em algum momento nos assusta. Até que nos acostumamos e o novo passa a fazer parte do cotidiano e do passado.

Mas em conversa com diversas pessoas percebo uma divisão nítida. Entre os que aprovam e os que desaprovam a novidade.

No início a divisão estava entre os que diziam que daria certo e uma nítida maioria que dizia: não vai dar certo, e com uma grande torcida para que não desse certo mesmo.

Porém, olhando com objetividade e olhos críticos, podemos elencar os prós e contras da ideia. Sim, sobre a ideia, que parece não ter alcançado ainda sua plenitude.

A ciclovia começa do nada, no início da Cidade, ao sairmos da Estrada do Contorno e acaba no nada ao final do nosso "Terminal Rodoviário", há muito defasado.

O ideal é que a ciclovia se emendasse em si mesma, permitindo ao ciclista circular pela área central da Cidade sem sair da via expressa.

Ela também deveria ter vindo acompanhada de uma grande campanha educativa, demonstrando ao usuário da via que a mesma deve ser usada em uma mão única, no sentido da via de trânsito. Sim, a bicicleta é um veículo de trânsito, e sua circulação também obedece ao Código de Trânsito Brasileiro.

Outra crítica é que, por onde a ciclovia passa, os comerciantes amargaram e amargam uma queda razoável em seus faturamentos, tendo em vista que a proibição da circulação e parada de veículos reduziu suas vendas. E é sempre bom lembrar que o comércio depende de seus lucros para produzir riquezas, gerar empregos e recolher impostos.

Ok, andar de bicicleta é mais saudável, gera menos poluição, dentre outros benefícios. Mas, e a contrapartida do Poder Público em prever áreas para estacionamento dos veículos. Simplesmente expulsá-los do centro da cidade não é a solução.

E se a Prefeitura começasse a aprovar apenas obras que tenham em seus projetos soluções de estacionamentos e garagens. Certamente a quantidade de carros estacionados nas ruas diminuiria. Caro leitor, olhe ao seu redor e veja quantas obras estão sendo feitas e quantas delas preveem garagem ou estacionamento para os veículos???

Há também a questão de locomoção de cidadãos portadores de necessidades especiais que não podem andar e nem pedalar. Como vão acessar certos lugares da cidade se não podem parar seus carros ou serem levados de carro por seus parentes ou taxistas??

Mas há as coisas boas. A cidade parece ter ficado mais leve, pontos de "bandalhas" foram desfeitos e os ciclistas circulam com mais segurança.

Como conceito, a nossa ciclovia é boa, basta ser melhorada. É o progresso e não vamos ficar fora dele.  

Roberto Silva de Siqueira
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