JORNAL MILÊNIO VIP - Indo e Vindo

Colunistas - Rosinha Matuck

Indo e Vindo

Publicado na edição 135 de Novembro de 2013

Dia nublado, chuvinha miúda, senti uma necessidade enorme de passear por Magé.  O dia, realmente não sei explicar, era convidativo e lá fui eu. Rodei pela cidade inteira! Fui à rodoviária - quantos novos comércios!  - me espantei, mas tudo estava tão limpinho que curti o visual. Como sem destino, viajei pela cidade. Tudo me pereceu nostálgico. Pensei que talvez fosse o tempo, a chuva... Estava tudo muito agradável.

Fui ao Beco da Palha, olhei, olhei, e vi os fundos da minha antiga casa. Não reconheci a fachada, mas o clima era muito familiar, pois durante anos tomei conta, da minha sacadinha, da clinica da amiga Isaura. Quando o alarme gritava, para mim era uma festa: eu corria e ligava para ela. Tinha até uma chave!

Mas o que mais me atraía era voltar à Dr. Siqueira. Desde que me mudei, nunca mais pude curtir a minha rua Dr. Siqueira, onde vivi por mais de 60 anos. Estava tudo ali pertinho. Estava diferente, olhei muito e parei. Percebi que eram poucos os carros que passavam (o que amei, pois por duas vezes fui atropelada ali por bicicletas, que também eram poucas) e eu tinha a visão nítida da rua, sem atropelos. Afinal já sou considerada idosa pelas leis dos homens...

Algo muito forte me detinha ali, em frente à nova Loja Objetiva.  Claro, ali vivi muitos anos...  Recostei-me no poste e deixei a memória entrar... Onde havia a porta que dava acesso â minha casa, uma nova parede. Nem percebi, nos meus devaneios. Entrei e fui direto para o meu quarto, que eu tanto amava. Minha cama, meu ar, as paredes azuis, a poltrona verde onde meus cachorros dormiam, sempre ao meu lado.  

Depois de horas ali, fui até a sala do computador que, num dia longínquo, fora o quarto onde meu pai, o primeiro fotógrafo de Magé e que, segundo José João, lhe ensinou essa arte centenária, revelava seus retratos. Sentei numa das cadeiras e lá passei outras tantas horas. Não via ninguém do lado de fora e nem percebia se alguém me observava.

Segui adiante e fui até a cozinha, ao banheiro.  Sentei em minha sala grande de trabalho e segui para o quintal. Subi as escadinhas que davam para o quarto do meu irmão e, como sempre fazia, conversei com a goiabeira, que nos meus sonhos estava lá.

Nesse momento uma lágrima caiu do meu rosto, como agora. Tudo tinha passado e só a saudade era real. Alguém esbarrou em mim e, ainda com lágrimas nos olhos, acordei e continuei caminhando para minha nova casa, com a certeza de que tudo que lá vivi está estratificado, carimbado, documentado, com a assinatura de Deus em meu coração. E que jamais esquecerei! 

Rosinha Matuck
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