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Colunistas - Antônio Laért

A FRAÇÃO CORRETA DO FRACASSO

Publicado na edição 135 de Novembro de 2013

O problema  não é  o  que  pensam  de nós, é o  que  de fato somos.  E a  vida -  esse  tempo entre  o  nascimento  e  a  morte - não  é  espaço  suficiente para  encontrar-se,  descobrir-se,  revelar-se.  A vida é  breve  e corre  acelerada. Vai-se o  tempo  e não  sabemos  o  que  somos. Somos  tantas  coisas  e  desejamos  tanto  aperfeiçoar-nos  que  o  tempo sempre  nos  prega  uma  peça. Peço a Deus, que me  cure  de ser  grande: “não ando atrás de grandezas, nem maravilhas que me ultrapassam”. Desejo permanecer caminhando com essa  noção  do  outro,  apesar de não  fazer o  bem que  quero,  mas  o  mal  que  não  desejo. Quero ser bom, mas ao  mesmo  tempo,  peço  que  seja  curado  do  vício  de sempre querer  ser bom. Pelo amanhecer  renovo  meu  propósito  de  ser  melhor,  mas  no  fim  do  dia me  deparo  sempre  com  o  fracasso de  minhas  intenções. No dia  seguinte,  na  repetição  de minha rotina, volto  à  carga, mas por  vezes  há um  cansaço  de  tudo, um  desânimo,  uma  desesperança, um desalento  no  sopro  e  aragem que  me movem.  Ninguém  vive  risonho  o tempo todo. Existem  momentos  em   que  o  otimismo  se  recolhe  e  dá  lugar  a  manifestações outras do que há na  alma. É  a  aceitação  da  realidade. Mas, do  que  sobra  de  nós, é um alento constatar  que  somos na  essência  essa  contradição. Somos infinitos  e  finitos; sons  e  silêncio; matéria  e  espírito;  saúde  e  doença; tristeza e  alegria, uma  parte  que  se  conhece  e  outra  totalmente  desconhecida. Que bom que é assim. Somos  um  projeto  infinito  e  ansiamos  por  um  encontro.  Como  já  foi  dito,  não  devemos  mesmo completar  tudo. Estar em  dia  consigo é  uma  forma  de  avareza.  Precisamos encontrar  nossa fração correta  de fracasso. A incompletude é nossa  marca  mais  saliente  e  a  que  melhor  nos  revela. É o quando  sou  fraco  é  que  sou  forte. Ter essa  noção  nos  dá  condição  de  ir  em  frente,  de  avançar  rumo  a  outras  paragens. De  seguir  buscando, caminhando  e  deixando por  aí nosso  rastro  luminoso.

 

 

 

 

 

 

 

 

Antônio Laért
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