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Colunistas - Neuza Carion

O QUE SERÁ DO AMANHÃ? (2)

Publicado na edição 135 de Novembro de 2013

Acho que estou numa crise de criatividade: outro título de artigo repetido? Deve ser a idade... Mas é justamente a idade que me dá o mote e a justificativa para dizer que, ao contrário do compositor da melodia com o mesmo título, não estou preocupada com o meu destino, tenho me esforçado para que ele não me traga más surpresas. O que me instiga, na verdade, é o futuro além do meu destino.

Não é uma questão inédita: estamos todos assistindo – embora nem sempre nos apercebamos – ao que foi registrado por muitos, de tempos e lugares diversos, nas profecias em textos sagrados e na ficção, muitas vezes profética.

Ainda envolvida com a vida – em especial com o desenvolvimento de certa nova vida,  et pour cause... - tenho podido observar algumas das mudanças que têm transformado a vida na nossa sociedade global e interconectada: as relações entre as pessoas e entre pessoas e o ambiente se modificaram, atingindo e alterando até a noção de sagrado.

Nada de novo, assim tem sido desde sempre e assim será para sempre. Já escrevi uma vez, há muitos anos, que vida é mudança, que somos eternos mutantes. Adaptar-se e transformar faz parte da evolução, da transcendência, da permanência. Mas há o imutável.

Ao longo da história da vida sobre este planeta, muitas e grandes têm sido as transformações, com acréscimos, decréscimos, alterações na forma, mas sempre e exclusivamente para aperfeiçoar e preservar a essência, que faz parte do Sagrado e é imutável. Tanto no aspecto biológico quanto no social. Na prática: tudo que muda e não tem o objetivo de trazer segurança e qualidade de vida – para toda a espécie - é supérfluo, é dispensável e é abandonado ou substituído. O que se prova benéfico para todos, permanece.

E o que não muda faz parte das leis naturais. Claro que a inteligência humana tem driblado algumas (algumas!) leis naturais, mas não as elimina, nunca. Podemos voar, com aparelhos, mas a lei da gravidade permanece. Podemos, com cuidados e práticas adequadas, e medicação, prevenir e cortar a ação de micro-organismos que afetam a saúde e ameaçam a vida, mas não podemos (ainda?) manter esta vida além do limite imposto pela natureza: após um potencial número (pré-determinado) de batidas, o coração para, independentemente de qualquer cuidado.

Ninguém ainda conseguiu (nem se interessou em tentar...) diminuir o tempo de gestação: todo mundo ainda leva de sete a nove meses para nascer e sobreviver, cerca de um ano para aprender a andar e falar, cerca de vinte para atingir o pleno desenvolvimento intelectual e emocional. E estou falando só de tempo, nem falei das outras variáveis, como sentimentos, troca e doação de afeto...

Então por que querem tratar as pessoas como se fossem máquinas? Ou tratar as relações pessoais seguindo as leis de mercado? Há investimento, perdas e lucros, claro, mas pessoas não são objetos. É da condição humana ter e necessitar de limites, mas a solução para os impasses não é a mesma. Não se transmite informação para o ser humano como para um computador – há um processo e um tempo indispensáveis. Pessoas não podem ser trocadas como máquinas obsoletas, ou peças danificadas. E não se tratam os relacionamentos pessoais em crise da mesma forma que se faz com funcionários inadequados à sua função. As leis são outras.

E o amanhã? Pois é, não sei. Talvez a humanidade realmente esteja no limiar de se tornar meio máquina e só o tempo dirá se isto é bom ou mau. Talvez as catástrofes previstas no Apocalipse e nos livros de ficção se concretizem, talvez não. Talvez os prognósticos aconteçam de forma branda, sem desastres. Vai saber...

Não dá para estender o tema mas como saída eu, como os Beatles, acredito que “all you need is love” e, como Ziggy Marley, “love is my religion”. E é só.

Neuza Carion
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