JORNAL MILENIO VIP

Colunistas - Luiz Gurivitz

Árvore de Natal no Ano Inteiro

Publicado na edição 136 de Dezembro de 2013

A tradição da Árvore de Natal tem origem na França e depois foi associada a São Bonifácio que no Século XVII convertia os alemães ao Cristianismo. Apenas no início do Século XX, ela tornou-se um símbolo universal. 

A opção na Europa pelos pinheiros se deveu ao fato de suas folhas se manterem sempre verdes, mesmo sob invernos rigorosos, simbolizando a renovação da vida de Jesus.

A tradição determina a duração das decorações natalinas em torno de um mês e meio, que se encerra em 6 de Janeiro, Dia de Reis, quando os enfeites são retirados da árvore e guardados para o ano seguinte.

A árvore natalina transcende os costumes do Cristianismo, e transformou-se em símbolo de união em torno de ideais e valores supra-religiosos e universais de paz e boa vontade entre os seres humanos. Complementadas por confraternizações, trocas de presentes, gera-se, nesta época, um clima de harmonia, de planos para um futuro de paz, projetados sobre cada enfeite colocado nas árvores de natal.

Artificiais ou naturais, de espécies e tamanhos variados, com luzes americanas ou chinesas, decoradas por bolas ou outros adornos, há um ponto em comum neste ritual - toda decoração tem um prazo de validade definido.

Mas será que tem que ser assim? Não poderíamos postergar ou eliminar o prazo de desmontagem dessas árvores? Estes símbolos que compõem a decoração de milhares de árvores de natal não poderiam perdurar durante ano inteiro.

Olhando uma árvore dessas, das pequenas e simples às imensas e ricas, encontramos pontos em comum: sua base, seu tronco, seus galhos, seus enfeites, suas luzes e sua ponteira no alto.

A base envolve a terra que alimenta o ser sustentado. Mesmo quando artificial, ela representa a cultura, as memórias e a história, essenciais para a transmissão de valores às novas gerações.

Seu tronco, plastificado ou vivo, dá a estrutura, sempre vertical e direcionada ao 
alto. Ele representa as metas, aspirações e foco no futuro.

Os galhos, rígidos por moldes plásticos ou predestinados pela genética de sua espécie, buscam expandir-se ao longo da projeção do tronco, para projetar as individualidades de cada um. Dispostos simétrica ou aleatoriamente, buscam a luz que faça a fotossíntese de resultados e realizações.

Presos aos galhos, as folhas, de polietileno ou de células clorofiladas, captam o reflexo da luz do sol ou de janelas entreabertas. Aos mesmos galhos, prendem-se os enfeites. Cada um poderia representar hábitos, condutas, contratos interpessoais, ostentando uma estética de frutos, carregados de significado para relações mais harmoniosas.

Talvez com novas lentes pudéssemos ver:

A bola vermelha da Empatia – como a disposição de ouvir e se colocar no lugar do outro, de esforçar-se para entendê-lo, partindo de suas premissas, para poder efetivamente se comunicar.

Algumas árvores trazem também um sino que poderia soar como o perdão para as desavenças passadas, naturais sobre as pressões do dia a dia, cada vez mais estressante.

E finalmente, acima de toda a árvore, a ponteira. Geralmente a estrela maior, iluminada, resplandecente do potencial humano. 

Como seria bom se as árvores de natal não fossem apagadas, dobradas, descartadas ou guardadas durante o ano...

Será que todos os penduricalhos reluzentes afixados à árvore não manteriam acesos o espírito positivo de se dar e querer bem, para uma vida com mais qualidade?

Preservemos então essa árvore, virtual que seja, para fazermos valer seus significados em cada ato e palavra, com todos nossos semelhantes.

Luiz Gurivitz
Conheça o perfil pessoal de nosso colunista ou outros artigos publicados por ele
Clique Aqui