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Colunistas - Dulcimar Menezes

“TIRE A MÁSCARA DA FACE...”

Publicado na edição 89 de Fevereiro de 2009

“Nada menos de duas. Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora pra dentro” Machado de Assis, no conto ‘O Espelho’.

“Adeus à carne”. “Carne Vale”. Carnaval. Festa da carne. Festa pagã. Festa do povo.

Convido-os, meus amigos, a refletirmos juntos sobre estas expressões normalmente utilizadas para definir a manifestação cultural mais marcante, principalmente na nossa sociedade brasileira.

Quantos já não ouvimos dizer que o ano só começa de verdade depois do carnaval?

As manifestações culturais, em suas informações inconscientes, traduzem a intimidade de seu povo.

O carnaval vem encerrando um período de festividades que se inicia na virada do ano, nos reveillons em todo o mundo, onde, há este tempo, o homem tem o seu coração refeito de esperança em relação ao novo ano que se inicia. Mas esperança não é um sentimento que baste para que ocorra a realização de projetos pessoais e sociais.

É preciso mais. São necessários determinação e confiança. Porém, estes elementos muitas vezes estão perdidos no profundo de nosso Ser, sufocados pelo peso de nossas máscaras construídas pelos nossos medos, dores e amores ao longo de nossas existências a fim de nos mantermos vivos e capazes de relação.

Para que a vida real não permaneça como um gigantesco baile de máscaras, urge que cada um assuma a sua fantasia, vista-a sem reservas, para em seguida despir-se dela e, o mais rápido possível, encontrar-se a si mesmo no mais íntimo do seu ser e tornar-se real. Realizar-se!

Neste sentido o carnaval, dita festa pagã, pode simbolicamente alcançar uma conotação religiosa, pois não se chega à luz sem se penetrar a sombra inconsciente que habita o coração de cada vivente.

Carnaval é a festa da carne que se alegra, que se regogiza, que celebra, que brinca, que ama...

Num mundo de polaridades todos os eventos possuem os seus extremos de possibilidades na expressão da alma humana.

Há os que querem alegria e encontram alegria em si. E há os que querem alegria e, em si, encontram euforia cega, vazia...

Há os que querem celebração e brindam a amizade e a vida. E há os que querem celebração e encontram a insensata embriaguez...

Há os que querem brincar e, com a inocência da criança, simplesmente brincam. E há os que querem brincar e, perdidos em seus ódios ocultos, só conseguem ser violentos...

Há os que querem amar e amam. E há os que querem amar e não conseguem nada além da corrupção de seus corpos em promiscuidade, produto de primeira linha da Solidão...
Quem sou eu?... Quem é você?...

Adentremos o nosso carnaval, encarnados que somos. Reconheçamos as nossas máscaras, sejam elas tristes, divertidas ou monstruosas.

Mas, sobretudo, descubramo-nos verdadeiros por detrás delas. Só então estaremos prontos para atravessarmos um período de reflexão, transformação e libertação que virá logo a seguir.

Que Divina Luz nos acompanhe a todos e BOM CARNAVAL!

Dulcimar Menezes
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