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Colunistas - Roberto Silva de Siqueira

Magé quer paz

Publicado na edição 136 de Dezembro de 2013

Participei da caminhada "DE MÃOS DADAS PELA PAZ', ocorrida no dia 07-08-2013, que atravessou o centro de Magé e terminou no Morro do Bomfim, de frente para a nossa histórica árvore Mirindiba e, em consequência, de frente para o bairro Lagoa, palco da última tragédia ocorrida com o assassinato de uma família.

A caminhada se iniciou em frente a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade, palco onde ocorrera um fato histórico e de brutal violência, conhecido como "Os Horrores de Magé", onde tropas republicanas arrasaram com nossa cidadela que, até então, permanecia fiel ao Império.

Éramos em aproximadamente 300 caminhantes, uma reunião da sociedade civil organizada, sem viés político ou religioso, tendo como única finalidade chamar a atenção para a violência em nosso município, pedir por paz e demonstrar a indignação com tudo o que está acontecendo. Certamente, muitos não estiveram presentes por receio ou medo. Mas o recado foi dado.

A violência que assola nosso Município pode se justificar pela fuga de criminosos decorrente das criações das UPPs na Capital, onde se faz uma faxina para que tudo de certo na Copa do Mundo e nas Olimpíadas. E como fica o interior?

Outra questão é a região do entorno do COMPERJ onde, com o aumento de empreendimentos e circulação de riquezas, notadamente teremos um aumento proporcional da violência.

Violência que, em princípio, é caracterizada pela violência física, que pode resultar na perda de um ente querido, num ataque ao nosso patrimônio e toda a dor e sofrimento decorrentes destas situações.

Não obstante isto, também se caracteriza por violência, aquela invisível que ocorre quando nos é negada uma educação pública de QUALIDADE; uma saúde pública de QUALIDADE; uma segurança pública de QUALIDADE; uma real possibilidade de ingresso no mercado de trabalho; um transporte público de QUALIDADE; um abastecimento de água e elétrico de QUALIDADE; uma telefonia de QUALIDADE, dentre diversas outras violências invisíveis que nos atingem.

Estas violências que, por ação ou omissão do Poder Público Federal, Estadual ou Municipal, acabam por serem piores daquelas que verificamos nas páginas policiais pois, com educação, saúde, segurança e emprego (palavras muito utilizadas em épocas de eleição), a violência decorrente dos crimes certamente seria menor.

Parabéns para os que participaram, aos que apoiaram e os que não puderam participar. O importante é demonstrar que A VIOLÊNCIA SÓ SE INSTALA QUANDO O BEM SE CALA.

Roberto Silva de Siqueira
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