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Colunistas - Rosinha Matuck

Sobre cobras e abutres

Publicado na edição 137 de Fevereiro de 2014

Ao amanhecer, hoje, a mesma "maçã" à venda, na feira midiática. É... A tecnologia (televisiva) infernal tem aspectos que,até!, Tio Sam...OPS! Tio Huxley se admiraria. Admirável "mundo" podre!!!!
É xepa! É xepa! É xepa!

Sobre Cobras e Abutres
Vem, à meia-noite do dia,
O ladrão a roubar-me as pratas.
Por minhas portas abertas perpassa o tempo
Sem nem querer saber dos meus dias. 
A roupa, outrora tão nova,
Não mais resguarda a fibra do fio.
O leite, já no chão derramado,
Ignorou da mão a vontade.
A chuva os meus dias de sol
Já transformou em castigo.
Quem ousará, então, 
Levar da minha fome o pão?
Da minha letra o grito,
Da minha pena o sim e o não?
O corpo nu já não reclama a veste;
O passo em falso já se perdeu do grão;
A lista feita já se desfez no tempo;
A ingênua criança já conheceu sua dor.
Lugar algum é mais seguro ao arrogante
Que sua solidão-morada-de-um-só. 
É, lá, que ele junta minha prata, minha veste, meu pão.
No mesmo lugar, ele ensaia suas falas e,
Pelo espelho-platéia ele aplaude a si mesmo.
Empanturrado de si e de outros,
Sai do castelo pra vomitar nossas ruas.
Arvora-se tábua de lei em esquinas,
Apresenta-se divino aos leigos,
Transforma-se em oráculo aos deuses,
Cura sem o milagre da fé.

Mas, todo caminho que leva....traz.
A verdade de hoje é armadilha amanhã.
Assim é que se sobrevive a essas feras;
Pois, juntamente à fome do abutre,
O próprio veneno foi destilado em segredo.
Nada mais irônico que morrer em si mesmo;
Nada mais inferno que ser seu próprio enxofre.

Sandra Muller

Rosinha Matuck
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