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Colunistas - Neuza Carion

Pertença

Publicado na edição 139 de Abril de 2014

É preciso não viver em vão. Isto inclui aprender as lições da vida e usar tudo o que se aprende para melhorar. Algo que vale aprender é que cada um tem um lugar que é seu e um papel a cumprir.  Somos únicos e ocupamos um lugar que não pode ser ocupado por outro.

Somos indivíduos (o que não pode se pode dividir), uma unidade distinta em relação ao todo a que pertence: somos partículas que compõem o Todo. Estamos nesta dimensão do espaço/tempo com zilhões de outros seres, viventes ou não, compondo este imenso campo magnético que é o Universo, numa relação de total interdependência em que qualquer ação (ou omissão) de qualquer parte afeta o todo, que afinal tudo é uma coisa só.

Nós, espécimes da raça humana, até por força do segundo instinto básico (o da preservação da espécie), dependemos da parceria com nossos semelhantes e compartilhamos, ainda que a distâncias continentais, o esforço na manutenção e o desejo de aprimoramento do tecido social no qual vivemos e do qual somos parte. Em todos os sentidos, somos parte!

Fazer parte às vezes pode ser uma escolha que traz benefícios, mas sempre é uma condição que inexoravelmente cria responsabilidade: direitos e deveres são as contrapartidas inerentes à vida em sociedade. Qualquer que seja nossa opção, ou condição, todos cumprimos um papel que é nossa responsabilidade e nossa missão. Podemos vê-lo como um estorvo ou uma alegria, mas não podemos fugir a ele sem prejudicar a todos, inclusive a nós mesmos, principalmente a quem nos beneficia cumprindo com o seu.
Nós, humanos, somos uma espécie frágil, que não teria sobrevivido às condições da época de seu surgimento, não fosse por uma característica: a gregariedade. Nem o cérebro desenvolvido, nem o polegar opositor, nada garantiria a vida sem o amparo do grupo social.

Se a principio os membros dos pequenos e esparsos grupos interagiam apenas entre si, hoje a comunidade é cada vez mais planetária e a humanidade toda se relaciona através dos meios de comunicação, do comércio, das manifestações culturais, potencializando a interinfluência, a interdependência... e a responsabilidade. Por isto devemos pensar globalmente e, embora na maioria das vezes só possamos agir localmente, de qualquer modo a ação trará uma consequência global.

Podemos escolher nos isolar e, ainda assim, no atual estágio da historia da humanidade, precisamos dos outros para garantir o mínimo da satisfação do primeiro instinto básico (o da autopreservação, ou da sobrevivência) para ter alimento, abrigo e agasalho. Podemos esconder a cabeça para não ver, como os avestruzes. Podemos nos esconder debaixo da cama, como fizeram alguns habitantes de Hiroshima. Mas não podemos escapar das consequências de ações e omissões, nossas ou dos outros.

A todo o tempo, pedindo ou não, estamos recebendo. Mesmo de pessoas com quem cruzamos ocasionalmente, ou que nunca veremos. Então, para haver harmonia e equilíbrio, é preciso estar atento e retribuir, ser solidário e participativo no dia a dia, em todos os níveis de convívio: com familiares e amigos, na escola e no ambiente de trabalho, com colegas e com aqueles a quem prestamos  serviços e que muitas vezes são estranhos que dependem de nossa boa vontade e nosso interesse.

É preciso fazer que a vida não seja em vão.

(Originalmente publicado no Informativo Magé Vest, em abril de 2009)                                                                                                                                                  

Neuza Carion
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