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Colunistas - Neuza Carion

Amenidades, curiosidades, questionamentos

Publicado na edição 141 de Junho de 2014

Junho. Para nós, fim do outono, início do inverno, dias mais curtos que as noites, frio. No  Hemisfério Norte, o oposto: calor, dias mais longos que as noites, primavera/verão. Na Europa,  onde foram estabelecidas as bases da nossa cultura cristã-ocidental, é o tempo do renascer da  vida, de sair do casulo, de agregar, de festa. Coincidência ou não, é o mês que reúne o maior  número de datas dedicadas a santos de grande importância na história da Igreja Católica:  Antonio, João Batista, Pedro e Paulo - com suas festas trazidas pelo colonizador português e  modificadas, ao longo dos séculos, pelo folclore local. 

Agora temos mais um santo em junho, com a recente canonização do Padre Anchieta,  personagem talvez não conhecido mundialmente, mas de fundamental importância na história  do nosso país, havendo registros de sua passagem e influência em vários Estados ao longo da  costa brasileira. A importância de sua contribuição para a formação da identidade mageense  está comprovada pela escolha da data a ele dedicada para elevação de Magé à categoria de  Vila, em 1789. 


Isto renova meu estranhamento por - até onde sei - não haver uma publicação, oficial ou  não, reunindo o resultado de pesquisas já realizadas sobre a história do município, para  conhecimento dos interessados e ensino nas escolas. Mesmo que algumas informações  tenham sido obtidas por amadores (em todos os sentidos desta palavra...), muitas vezes em  fontes não oficiais, ou baseadas na transmissão oral das famílias mais antigas. E não pensem  que são poucas as fontes oficiais, como publicações e documentos guardados na Biblioteca  Nacional, no Arquivo Nacional, em Centros de Pesquisa nas Universidades, em Museus, entre  outros. Não são poucas as informações em livros publicados por pesquisadores, desde séculos  atrás, e material compilado por colecionadores particulares. 


Na verdade houve livros publicados, mas relacionados à história de famílias, a fatos e  momentos específicos. Também soube que foi publicado um livro nos anos 1990, elaborado  pela equipe de Animação Cultural dos CIEP’s (da qual fiz parte), dentro do que chamamos de  “Projeto Mirindiba” e que pretendia apresentar todas as informações levantadas, de forma  resumida, mas “começando do começo”, ou seja, na Pré-História, passando pelos sambaquis,  pela chegada dos índios (sim, eles não foram os primeiros, vieram de fora!), pela chegada dos  europeus, pelos tempos do Império, pela cultura caiçara, pelos movimentos político-sociais do  século passado, até os tempos então correntes. Nunca tive acesso a esse livro, pois já havia  deixado o programa quando ele foi publicado e as bibliotecas de Magé (ao menos a maioria  delas) foram desativadas. Agora todos preferem perguntar ao Dr. Google...  

Quase quinhentos anos de existência e Magé continua desconhecendo sua História. Por sinal, uma linda história. 

Neuza Carion
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