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Colunistas - Luiz Gurivitz

DIA DOS PAIS - Luiz Gurivitz

Durante séculos a figura do pai não podia sequer ser contestada em se tratando de hábitos, autoridade, poder e saber. As mães apenas avalizavam as regras fixas na educação dos filhos. Com a chegada do individualismo e da revolução feminista o pai foi dessacralizado e a autoridade de ambos, pai e mãe, veio tomar o lugar da autoridade paterna.

As mudanças sociais e culturais ocorridas na contemporaneidade mostram uma nova postura da mulher na sua relação com o casamento, com a maternidade e com o homem, ocasionando uma nova perspectiva no exercício das funções materna e paterna. 

Assistimos no nosso cotidiano a desvalorização da Função Paterna. O lugar da lei (do pai), da referência e da ordem tem sido preterido a pretexto do prazer, do amor, da felicidade, da criatividade. A predominância da ideologia do amor tem trazido aos pais uma dificuldade de assumir o lugar da lei. Isso tem dificultado que a criança possa se organizar e, tem sido um dos elementos alienadores na construção da identidade do adolescente. 

Função paterna 
O exercício da função paterna se localiza no espaço de subjetivação do exercício do poder, entendido como a representação da Lei, como representação simbólica do mundo.

Se a “lei do pai” é aceita e internalizada progressivamente pela criança, esta passa a se ver em um mundo com as outras pessoas, não só no mundo todo dela ou só para ela. Marca a despedida da onipotência infantil, além de ressaltar para a criança o contato com os próprios limites, com a alteridade e com a morte. 

O pai é aquele que se introduz na díade mãe-filho, impedindo que a relação fusional que os mantém unidos desde o nascimento se prolongue por muito tempo, dificultando o desenvolvimento da individualidade da criança. 

É preciso que ele adote afetiva e efetivamente seus filhos, pois sabemos que pais ausentes, muito autoritários ou muito distantes podem favorecer o aparecimento de problemas de personalidade nas crianças e também de dificuldades de interação com os companheiros.

Núcleo familiar 
O pai suficientemente bom é aquele que quer um desenvolvimento saudável para seu filho, dentro das potencialidades de cada um, ensinando-o a viver no mundo real, e no aconchego do seio familiar. Ele permite ao filho se perceber como um ser integrado e autônomo.

A paternidade é um grande ancoradouro de valores éticos e morais para nossas crianças e jovens, sendo assim, a palavra pai, nesse novo contexto, deixa de representar uma atitude distante e precisa ser substituída pela palavra participação. 

Esse papel deve ser encarado dentro de uma visão sistêmica, como um processo complexo envolvendo pai, mãe, filhos, família extensa e comunidade. A paternidade deve ser entendida fundamentalmente como uma construção social, de acordo com um ideal cultural, com o tempo e condições próprias. 

Referência paterna e limite 
Considero a perda do limite como uma das mais graves perdas que o adolescente vem sofrendo. A falta deste limite o impede que exercite sua capacidade de pensar, de ser criativo e espontâneo, e que organize a sua mente. A ausência ou a perda da referência paterna pode levar os filhos abandonados à violência, condutas aditivas (drogas) e manifestações ditas borderline (suicídio e assassinato). 

Acredito que, se não conseguirmos recuperar a competência dos pais, será muito difícil recuperarmos” estes jovens, que neste momento veem a lei – exercício da Função Paterna - no traficante, nas armas e na violência, que os leva para o caminho da exclusão e do desvio. 

No momento em que o pai apresenta o mundo externo ao filho e lhe ensina a alçar voos mais livres e independentes, sem fazer com que essa liberdade seja sinônimo de dor ou algo ruim, podemos dizer que começamos a vislumbrar um novo perfil de indivíduos, com um superego forte e equilibrado, mais maduro e preparado para exercer seu papel na sociedade e também de futuros pais.

Luiz Gurivitz
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