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Colunistas - Izaura Hart

Você e seu filho

Publicado na edição 145 de Outubro de 2014

E a linda menina com seu vestido novinho em folha estava ali, sentada naquele banco da praça, distraída olhando dois pardais saltitantes que teimavam em beliscar as poucas pipocas que haviam caído do pacote de alguma criança que por ali passara.

Sua jovem mãe continuava distraída olhando o celular e respondendo as mensagens que com certeza chegavam.

Belo passeio de domingo...  A menina de vestido novo que a mãe havia “suado” para comprar trabalhando oito longas horas ao dia. A praça ali  estava, o pipoqueiro, o parquinho, mas a mãe estava longe, insistindo em conversar com não sei  quem através do pequeno aparelho entre as mãos.

A tecnologia que chega para mais facilidades e conforto também é a grande vilã que  afasta os familiares e principalmente os pais dos filhos.

Até bem pouco tempo era apenas  o aparelho de TV que não permitia que as crianças nada perguntassem ou conversassem com seus pais principalmente no horário da novela, das notícias ou de algum filme mais atraente. 

Agora, o celular acompanha os pais onde quer que estejam, no carro, na praça, na rua e os pobres filhos cada vez mais solitários, embora trajando roupas da moda e portando brinquedos de última geração.

Quando se opta pela maternidade ou paternidade faz-se necessário que se reflita em torno do processo educativo da família e da importância da convivência amistosa entre pais e filhos.

O maltrato físico que muitas vezes acontece em plena rua, envergonhando a criança, a pressa em caminhar fingindo ignorar que o passo infantil é bem menor que o seu, as humilhações com apelidos  ou comparações que são feitas com outras crianças  mais bonitas ou inteligentes fazem com  que a tristeza ou a revolta tomem conta do espaço que deveria ser de alegria e de satisfação com a vida!

A indiferença dos pais que nunca podem  parar para contar uma história, que nunca brincam por alguns minutos que sejam com seus filhos ou que não participam da fantasia da infância que passa tão rápido, faz com que a realidade de uma vida “dura”, “adulta” chegue antes do momento!...

Criança precisa ser criança, sentir-se protegida, amada e cuidada. 
Se assim for, ela responderá de forma favorável aos estímulos da vida. Quantos  pais gostariam que o tempo voltasse para agir diferente!

Você, que já sabe como deve fazer, engrosse as fileiras daqueles pais que “cortam os galhos, adubam a árvore e são  jardineiros atentos” para que as flores cresçam no jardim da sua  vida através dos filhos que você verdadeiramente trata de educar!
                                   
 

Izaura Hart
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