JORNAL MILÊNIO VIP - MODA VERDE INVADE O MERCADO TÊXTIL

Colunistas - Elaine Ferreira

MODA VERDE INVADE O MERCADO TÊXTIL

Publicado na edição 90 de Março de 2009

Preocupados com o aquecimento global e com a conscientização ecológica? Sustentabilidade, responsabilidade social e valorização da cultura são conceitos cada vez mais presentes no mundo fashion. Confira nas vitrines os tecidos reutilizados ou reciclados, em algodão orgânico, couro alternativo (de tilápia ou vegetais) e as fibras naturais que estarão fazendo sucesso na temporada outono-inverno 2009.

De acordo com o Environmental Protection Agency, órgão americano que monitora a emissão de poluentes no mundo, a indústria têxtil mundial está entre as quatro que mais consomem recursos naturais, como água e combustíveis fósseis. Somente a cultura de algodão é responsável por cerca de 30% da utilização de pesticidas na Terra, contaminando o solo e os rios. Ou seja, a busca por matérias-primas alternativas e renováveis é hoje um dos principais desafios do setor.

Natureza pronta para virar roupa - Antenada com mais esta tarefa, as empresas de confecção levam para as lojas as novidades da chamada moda verde. Através desse tema os empresários inovam nos processos e nas matérias-primas sustentáveis: couro de tilápia; malha de fibra de garrafa pet, de bambu e modal são alguns dos materiais que estão sendo utilizados nas confecções da nova coleção outono-inverno. A juta também ganha espaço por não oferecer impacto ambiental.

Esses materiais ganham versões mais criativas e combinam com os variados estilos. Ao adotar as linhas especiais sustentáveis, as empresas conquistam clientes e uma ótima divulgação para a causa. A grife Branca Maria, por exemplo, vai usar o couro de tilápia, peixe de água doce devidamente beneficiado (tingido e amaciado). “Vamos usar o couro nas alças de blusas e vestidos. Uma flor feita do couro também vai ser utilizada como detalhe em alguns modelos” explica a empresária Aline.

Já a marca Calabrote vai utilizar moletinho de bambu e a malha pet recicle para confeccionar vestidos, calças e casacos. O bambu é uma planta de crescimento rápido que se reproduz em abundância sem o uso de pesticidas e fertilizantes. Sua fibra é naturalmente antibactericida, biodegradável extremamente macia. Tem característica termodinâmica, deixa a peça fresca no verão e mais quente no inverno. A malha de fibra de garrafa pet também é utilizada na nova coleção, o plástico reciclado é transformado em fibras que produzem um tecido forte, porém macio. Em geral, elas são combinadas com algodão, que dá um toque ainda mais confortável. Além da preocupação com o meio ambiente, outros motivos também estimularam a empresária Viviana Degani Rizzo a trabalhar com esses materiais. “O resultado final é um produto de qualidade tão boa quanto aquele que foi confeccionado com matéria-prima não reciclada, mas com uma diferença fundamental: tem um valor social e ecológico agregado sem precedentes. Consumir produtos reciclados é valorizar a qualidade de vida, uma nova oportunidade de recuperação e equilíbrio ao meio-ambiente e preservar o futuro do planeta para nossos filhos” diz a empresária.

A utilização desses materiais é economicamente viável, socialmente justo e ambientalmente correto. É uma tendência, uma necessidade do planeta de fazer essa transformação e está presente na moda. O maior desafio está em provar para o mercado que os novos tecidos são, mais do que uma alternativa, uma necessidade para o futuro. Só depende de nós para que o Brasil possa ser reconhecido, nos próximos anos, como um país de moda sustentável e criativa. É isso, dá para desfilar lindo(a) por aí e ainda fazer a linha ecoantenado(a).

Elaine Ferreira
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