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Colunistas - Gilvaldo Dias Guerra

A lenda do Rio Magé!

Publicado na edição 149 de Maio de 2015

Hoje vou falar de uma Lenda.

Temos a Mirindiba, a índia que virou uma árvore e agora vou falar de uma índia que foi transformada em um rio. Não um rio comum, mas um rio importante que leva o nome da nossa cidade – Magé!

Hoje como estou aposentado. Trabalhei 37 anos, sendo 35 no Rio de Janeiro, praticamente não vivia no dia a dia da nossa cidade.

A nossa cidade é chamada até hoje de cidade dormitório. Como? Somos a 11ª cidade mais populosa do estado e muitos só vêm para casa para dormir.

Vamos à História!

A História do Brasil não enxerga Magé. Hoje eu vejo o Brasil, através do meu berço, compreendo a grandeza desse Município que foi esquecido pelas autoridades, Estaduais e Federais.

Um colega acadêmico chamado Deneir, um magnífico Artista da Academia de Ciências e Letras e Artes de Magé – ACLAM, comandada pela professora Benedita Azevedo, me emprestou um Livro. Desse livro fui investigando a história do rio chamado MAGEPE. Também lendo o Livro Raízes de Magé e Guapimirim, encontrei “A LENDA DO RIO MAGÉ”. Juntei esses dois livros e comecei a minha investigação sobre esse importante rio.

A História da cidade diz que, Simão da Mota, foi agraciado com uma sesmaria por Estácio de Sá, em 1565, com seiscentas braças de terra ao longo da água e 1.000 braças pela terra a dentro, no rio Magepe, como reconhecimento pelos relevantes serviços prestados na defesa heróica do Rio de Janeiro contra os Franceses, chegou às praias de Piedade, acompanhado de pequeno séquito composto de parentes, alguns amigos e vários escravos africanos.

Vocês notaram, que aparece o nome rio Magepe na história.

Então descobri onde é o final do rio Magepe. O nome Magepe foi trocado para Magé em 1789, por ordem do Vice-Rei Luiz de Vasconcelos na ocasião da elevação da cidade para Vila.

E onde nasce esse rio? Esse rio desemboca em Piedade e fui seguindo o rio Magé e de repente, ele sumiu. Sumiu? Como assim? Fiquei curioso.

Como um rio pode sumir assim? Claro não o rio, mas o nome. O rio importante do município sumiu? Onde? O rio que leva o nome do nosso Torrão sumiu!

Um dia, indo para Santo Aleixo pela Rodovia Rio x Teresópolis (Santo Dumont), antes de chegar ao viaduto de Santo Aleixo, passei por uma ponte, e ao passar veio na minha mente! Acho que li Rio Magé! Como?

Fui para Santo Aleixo e ao voltar, passei bem devagar pela entrada e li uma placa que a CRT colocou: RIO MAGÉ! Fiquei espantado! O Rio que tinha sumido em Piedade, apareceu na rodovia Santo Dumont. Então pensei: “Esse Rio é o que vem de Santo Aleixo?”

Pegando o Inventário dos Bens Culturais do Município de Magé, emprestado pelo Acadêmico da ACLAM, DENEIR, achei vários mapas de séculos passados, que constavam o RIO MAGEPE, indicando a sua nascente na minha querida terra Santo Aleixo!

Obs.: Nascei uns 50 metros desse rio e até agora não sabia o seu nome.

Agora eu tenho o início do Rio Magé e o final. E o corpo, onde está? Continuei a minha investigação. Fui ao Google Mapas e segui o Rio Magé.

Seguindo vi que passa na BR 493. Chegando à Magé, li RIO RONCADOR. Como? Será o nome roncador, porque o povo de Magé dorme no ônibus para trabalhar no Rio de Janeiro?

Será que é roncador, porque Magé é uma cidade dormitório? Não entendi? Tem município que tem rios com nomes da cidade. Rio Meriti, Rio Iguaçu, etc. Porque mudaram o nome de Rio Magé, para Roncador?

Perguntando algumas pessoas de Magé para confirmar a investigação, algumas falavam: “Ele é perto da Casa de Saúde”. Eu Respondia: “Lá é o Magé Mirim”. Outros falavam: “O Rio Roncador é o Rio Magé!”.

Quem trocou o nome de rio Magé? Quando foi? Porque fizeram isso?

Para mim, o rio Magé é o mais importante, pois abastece tanto o 2º Distrito Santo Aleixo, como o 1º distrito da cidade de Magé. Qual o motivo da troca do nome para Roncador? Descobri essa Lenda no Livro Raízes de Magé e Guapimirim de Roberto Féo.

Como já falei, fui criado, a uns metros do Rio Magé, na Vila Operária em Santo Aleixo e só aprendi o nome desse rio, 60 anos depois.

Continuando a investigação pesquisei o Jornal o Paiz de 1885, veja:

“O PAIZ – SABADO , 29 DE AGOSTO DE 1885 - ASSEMBLÉIA PROVINCIAL

Informação sobre o projeto que consigna 5.000$ para a construção de uma ponte sobre o Rio Magé em frente à fábrica de tecidos de Santo Aleixo - As Comissões de Obras e Fazenda Provincial.”

Magé 450 Anos! Cada dia me surpreende mais!

 

Gilvaldo Dias Guerra
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