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Colunistas - Ivone Boechat

Tudo é a mãe

Publicado na edição 149 de Maio de 2015

Porque a humanidade não soube ou não teve tempo de se preparar emocionalmente, agora está sendo bombardeada com as ferramentas da informação criadas por ela mesma.  A Internet abriu espaço para bilhões de internautas se comunicarem, mas comunicar o quê? Massacres, tufões, vulcões, disse-me-disse, corrupção, vendavais, catástrofes, mentiras, muitas mentiras. Analfabetos funcionais eufóricos criaram a linguagem da ignorância virtual. Aumentou a responsabilidade das mães.

Hoje, muito mais do que outrora, as mães carregam nos braços, empresas e filhos.  Bebês de fraldas, mochila e agenda estão matriculados nas escolas, porém a maioria das instituições não se preparou ainda para receber e educar essa precocidade toda... Crianças chegam ao recinto escolar com uma experiência traumática de 6 mil horas de TV violenta! Criança é criança, ela quer ouvir histórias, brincar de roda, soltar pipas, mas... dá de cara com uma sala de informática, porque isso dá status, alguns empresários da educação entenderam assim. Os pimpolhos disparam na direção do Ipad, laptop, Whatsapp, tablet... a educação, ah! esta, sim, engatinha devagarinho...

Quem poderá orientar os pais para as crianças não se encantarem tanto assim com os chocalhos da violência? Só a educação básica no seio da família! Não se tem políticas públicas para amenizar tanta violência, mas se pode ensinar a rejeitá-la. O número dos que apreciam a notícia ruim aumentou. Sobrou então para as mães, muitas vezes, sozinhas, sem ter os avós para auxiliá-las nas tarefas, como antigamente. Vovó e vovô estão nas faculdades fazendo um curso novo, para não saírem da roda da concorrência e assim conseguir recursos para continuar a ajudar os filhos, netos, sobrinhos... porque  os salários ridículos do sub emprego arrebentam com a família e quem ajuda a segurar as cordas são os idosos.    

Qual é o perfil da mãe neste novo tempo? Pessimismo? Nem pensar! Em casa, os filhos precisam aprender a reagirem positivamente, frente às pressões sociais. A mãe deve se preparar para lutar, ombro a ombro, fora de casa, sem se esquecer das funções sagradas no lar! Sim, bem usado, o computador é uma bênção, só não pode ditar as regras. Os filhos precisam de um pulso forte para estabelecer a disciplina no uso da informação. E aí se pergunta: cadê a mãe?

Mãe, receba o reconhecimento desta sociedade antenada, blogada, conectada, tuitada, classificada e carimbada como um ser contemporâneo nativo-digital.

No texto sagrado, a mãe virtuosa é relevante e “o seu valor excede ao de muitas jóias preciosas”. 

A sabedoria popular prescreve: “Para ensinar a andar, pode ser qualquer pessoa, para ensinar por onde andar, 
- a mãe.

Para ensinar a falar, pode ser qualquer um, para falar com sabedoria,

- a mãe.

Para ensinar a abraçar, pode ser qualquer amigo, para ensinar a sinceridade,

- a mãe.

Para ensinar a orar, pode ser qualquer pessoa, para ensinar a confiar em Deus,

- a mãe”.

 

Ivone Boechat
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