JORNAL MILÊNIO VIP - Devoção

Colunistas - Neuza Carion

Devoção

Publicado na edição 149 de Maio de 2015

Escrevi e publiquei o texto abaixo há exatos vinte e um anos. Desde então, obviamente, as circunstâncias mudaram, mas continuo a me orientar pela minha estrela-guia e meus sentimentos ainda são os mesmos - acrescidos da saudade, pois já se passou mais de uma década desde que, cedo demais, ela nos deixou. Perdoem-me a repetição (e os erros de redação, que optei por não corrigir), mas não resisto à tentação de reafirmar meu amor e compartilhar com quem não conhecia esta homenagem A MARIA

Este é o seu nome. Mas todos sempre a chamaram de Naná, porque é costume em Minas, onde ela nasceu. Inteligente, bonita, alegre, forte, dedicada, eficiente. Autodidata.

Me lembro, dona Naná, que aos onze anos toda minha ambição era crescer, casar e criar meus filhos para serem bons cidadãos. Como você fez.

Cresci produto dos anos rebeldes, feminista, politizada, bem informada, ansiosa por independência, procurando sempre ser diferente. Me vi mãe. Igual a você, renunciei. Não sei se minha insatisfação, assumida, foi maior que a sua, mal disfarçada.

Em tempo retomei o papel que creio me caber, de cidadã útil e participante, também fora do âmbito familiar. Como você não fez.

Não tem sido fácil, dona Naná, tentar realizar ao mesmo tempo as duas tarefas. Seria mais confortável abrir mão de uma. Mas não quero e não posso abrir mão da família. Quanto ao trabalho, tenho uma dívida com você. Que teve o bom senso de não me fazer seu espelho, mas foi, é e será sempre minha referência, a lente através da qual vejo a vida e o mundo – concordando ou discordando, pois uso seu exemplo, ainda que às vezes ao contrário. O que me move é a sua ambição. Minha busca é a sua busca um dia abandonada. Me realizo para realizar também suas aspirações.

Meu princípio e meus princípios, que pena não poder estar mais perto. Que pena não poder exibir você a meus amigos e a este lugar que me recebeu, me aceitou e me abriga.

Por isto, os milhares de leitores que mensalmente acompanham este trabalho vão me permitir usar este espaço, normalmente dedicado à mãe Magé e a seus filhos, para lhes apresentar dona Naná neste mês duplamente seu. Porque Maria e porque mãe. Minha mãe.

 

Neuza Carion
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