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Colunistas - Robson Pereira

Um Documento para a História

Publicado na edição 149 de Maio de 2015

Refletindo sobre o atual Momento Político que o Brasil vive, por uma feliz coincidência recebo de uma tia um impresso transcrito do Jornal Última Hora, na data de 24/08/1954, ofertado pela GRÁFICA UNIÃO – Magé, esse que considero um tesouro histórico, estava entre os pertences do meu Avô, falecido há 35 anos. Trata-se da carta escrita por Getúlio Vargas antes te morrer. 

O motivo de estar trazendo à memória uma história que em qualquer livro de História Brasileira é possível encontrar, na verdade não é nenhum saudosismo ou apologia a esse momento de nossa história. Estou querendo que reflitam e tirem suas próprias conclusões desse paralelo que estou estabelecendo entre esses “diferentes” momentos políticos.

Parafraseando o início da carta de Getúlio Vargas: “ Mais uma vez, as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se novamente e se desencadeiam sobre mim”. Uma afirmativa que não seria absurdo estarmos presenciando nos dias de hoje, infelizmente o nosso país é movido por todos os tipos de interesses, todos eles voltados para conquistas de poder, porém em raros momentos nos foi possível presenciar o interesse coletivo como prioridade absoluta.

..."Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo, que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar, a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida.

Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão.

E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História."

Com a intenção de levar ao conhecimento de muitas pessoas que nunca tiveram oportunidade de conhecer os termos desse tesouro histórico, também busco entre os leitores uma reflexão sobre o nosso atual momento. Passados mais de 60 anos da morte de Getúlio Vargas, infelizmente não conseguimos avançar nada na busca de uma sociedade mais justa e igual. Convivemos a cada segundo com o avanço meteórico da tecnologia, o acesso às informações está cada vez mais fácil, e infelizmente ainda convivemos com a lei da  “Farinha pouca, meu pirão primeiro”. Não podemos pensar em casar políticos que não estão fazendo certo o seu trabalho, quando na verdade não usamos de forma correta, a nossa maior arma, que é o nosso voto. Não podemos pensar em combater a pobreza, enquanto presenciarmos políticos enriquecendo com a merenda que deveria ser dos alunos, não podemos pensar em combater as enchentes, enquanto estivermos jogando lixo nas encostas. Não podemos pensar em combater a violência enquanto estivermos promovendo maus tratos dentro de nossas casas. Na verdade inúmeros exemplos poderiam ser citados e inúmeras argumentações poderiam ser utilizadas  acerca da nossa situação, porém numa reflexão pessoal e não tendenciosa, penso que antes de mudar os nossos políticos ou a todos os que nos desagradam, deveríamos fazer uma introspecção, e certamente a conclusão seria óbvia: Se não tivermos a capacidade de mudar os nossos hábitos, e se não tivermos a certeza de que temos a obrigação moral de fazer a nossa parte, certamente não chegaremos a lugar algum e, continuaremos a ter Cristos e Getúlios morrendo por nós sem conseguir avanço algum.

 

Robson Pereira
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