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Colunistas - Rosinha Matuck

Memória - Reencontro com meu acervo afetivo E com a história de Magé

Publicado na edição 150 de Junho de 2015

Como parte dos festejos do aniversário de fundação de Magé e num ato de muita coragem, abro meu baú com os registros da História assistida durante toda minha vida - vivenciada, a princípio, através de meus pais e atuando, mais tarde, nos jornais para os quais colaborei.

Minhas razões? Divagar, procurar respostas, refletir meu município através da imagem das sociedades aqui estabelecidas, que ao longo de sua História – passado e presente – estabeleceram e ainda estabelecem uma simbiose necessária para a construção do futuro.

Para compreender uma cidade é necessário conhecer de fato seus espaços, sua cultura e, principalmente, como se comporta sua gente. Não há aqui neste espaço nenhuma reflexão sociológica, apenas o desejo de repensar os caminhos que percorri.

Quando adolescente vivi uma Magé diferente, rica de entusiasmo, rica em sonhos de um recanto ainda escondido no recôncavo da Baía de Guanabara, onde o progresso, como dizia o Dr. Aluísio Sturm, não havia chegado. Era muito bom! Vivíamos a nossa estória dos desfiles escolares, o Carnaval, as festas de rua, frequentadas por grandes personagens do nosso Estado e do país que tinham moradia aqui. Um passado de serestas na praça que embalavam sonhos inconfessáveis... Recordar Magé do MTC e de seus eventos e as velhas amizades não tem preço! 

A tecnologia avançou e a sociedade se perdeu, encolhendo, dormindo em berço esplêndido, ganhando aqui seu sustento para viver em outros mares... Hoje com acesso às grandes mídias podemos assistir a desconstrução de um País, de um Estado e de um Município. Mas também por essas grandes mídias podemos ouvir e assistir pequenos ruídos de socorro. E não foi sempre assim? Claro que foi e será... Mas a preferência pela utopia ainda insiste em prevalecer e foi por isto que tive a curiosidade de vir aqui para sonhar e constatar – o que será?

Dario Navarro, nosso amigo argentino que revolucionou esta cidade juntamente com o Padre Montezano, dizia que Magé só seria possível se arregaçássemos as mangas e partíssemos para a luta, em vez de delegar a um Messias, que mesmo sendo da cidade, a colocasse no lugar dos sonhos de todos. 

Hoje vejo a nossa história da primeira estrada de ferro do país se perdendo no tempo de tantas iniciadas revitalizações – até agora promessas e promessas – não conseguindo dar partida para andar nos trilhos. Mera lembrança decorativa!

Enfim, tentando dar minha contribuição nestes 450 anos do município deixo aqui uma pergunta que não quer calar: somos nós os culpados por tanta desmotivação em nossa cidade com nossos gestores? Recordemos:

Alguns Jornais da cidade pesquisados (Tenho todos)


Cadê o carnaval de Magé? 1998

Magé não vê água  1998
Tratamento de esgoto com bambu 1997
CRT, serviço e segurança 1997
Magé tem prefeito confiável? 1997
Ayrton Xerez traz habitação para Magé 1996
Ciclista na contra mão 1996
Barcas chega a Magé 1996
Magé: o trânsito vai matar 1996
Contas de Nelson foram rejeitadas
Concurso público subjugado
Piabetá está um caos
Lei orgânica de Magé compromete a Liberdade de Imprensa
Saúde de Magé ameaçada
Começa a faltar água nas ruas de Fragoso 1995
Judiciário desrespeitado 1991
Foco de dengue em Magé 1991
Prefeito de Magé é acuado de desviar dinheiro público para conta particular 1996
Meio milhão numa tacada, cheques que arrasam com o povo de Magé 1996
Secretário de Justiça visita Magé 1997
“By Pass” do pedágio(Guerra Fria) 1997
A revolta dos mageenses 1999
Sindicatos em negociação com a prefeitura 1997
Magé ganha US$1 milhão, Cdê o dinheiro ?97

Nilo Batista, Marcelo Alencar, Pezão, Flavio Palmier, Dornelles, Robertão, Toninho Duarte e centenas de outros, todos levaram os votos daqui, onde estão? O que fizeram por Magé?


Resposta: Nada, pois todos nós nos vendemos.

 

Rosinha Matuck
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