JORNAL MILENIO VIP

Colunistas - Antônio Laért

O combate do homem comum

Publicado na edição 151 de Julho de 2015

"Pois nenhum homem, grande ou medíocre,  mas principalmente grande, é até o fim da  vida um só homem ou  uma só pessoa, mas vários homens,várias pessoas. E pessoas desiguais, contraditórias, diversas, que  nem  sempre se completam, que às vezes fazem  de  um só individuo um campo de batalha constante onde muitos lutam e nenhum é vencido de  todo”.   Gilberto  Freyre(1900-1987)

Não, não estou deprimido. Estou bem. Fiquem tranqüilos meus  poucos  leitores. Parece que assustei vocês, quando  coloquei em  comum  em  meu  último  texto, o sentimento  de  tristeza  que  me  ocupou pela  ausência de  papai. Tempo estranho esse em que  vivemos. Não há lugar, nem espaço para a tristeza, a dor, a solidão. Nossa  tristeza  teria  que  ser uma  imensa  alegria. Não podemos falhar, nem mostrar nossa  fragilidade. O que deve nos mover nessa sociedade do espetáculo é apenas a alegria, a  receita  sobre  o  que  deu  certo,  atingiu  o  alvo,  trouxe  dinheiro,  acumulou  patrimônio, nos  tornou conhecidos. Ninguém se  detém, volta os olhos ou o  tempo  para os desacertos, falhas, insucessos, dor, tristeza.  A humanidade  que  há  em  nós  e  nos move, porém, não sobrevive nessa profunda superficialidade; quase  todo  dia  sobe  ao  ringue para vencer lutas contra seus desafiantes. E assim, vivemos entre luz, sombra e escuridão; alegria, euforia e tristeza; orgulho, vaidade, soberba e  prepotência. Tudo é incrível. Arranhamos a superfície e cotidianamente nosso propósito é não falhar. Mas, um dia caímos e a queda até nos faz bem. Rearruma as coisas.  Nos recoloca  no  chão da realidade. É o sofrimento que purifica, repara, restaura, dá a conhecer melhor as imperfeições. E assim, com devoção, vamos em frente, cheio de  incertezas nesse tempo de  loucas  certezas e  dogmas  disparatados. Ah, que saudades das velhas  perguntas  e  das  velhas  respostas. A vida  é  tão  rara e muito  breve.  É indispensável mesmo um pouco mais de  calma,  de alma.  Obrigado a  todos  pela preocupação.  Foi como uma lufada de ar fresco. Esse viver  ninguém me  tira.  É uma inteireza significativa e significante. Já até nem sei se sou mais  o  homem  que era  sexta,  sábado  ou  domingo  ou  aquele que  percorre  os  dias  de  segunda  a  quinta. Seja como for, vou  deixar   essas idéias de  molho,   descansando um  pouco  para  voltar  a  elas  um  dia,  quem  sabe. 

Antônio Laért
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