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Colunistas - Neuza Carion

Filosofando

Publicado na edição 151 de Julho de 2015

Este ano Magé comemora os 450 anos de sua fundação e creio que começo a perceber sinais de interesse em sua História, no resgate do seu passado e debate do presente, na construção de um futuro de ordem, progresso e paz.

Resgatar o passado significa não apenas o estudo dos fatos, mas a compreensão de suas causas e consequências. Gosto de pensar na História como uma Carta (no sentido geográfico), um mapa pelo qual nos orientamos para decidir o rumo que devemos ou não tomar. Porque a vida caminha em círculos, retornando às mesmas situações, em níveis diferentes, em formas mais elaboradas, porém sempre as mesmas em sua essência.

Um parêntese: usei o termo “vida” em vez de Humanidade, como originalmente pensara, porque aprendi (e não duvido, até que se prove o contrário) que muito antes do ser humano surgir sobre este planeta outras formas de vida “fizeram” História, em ciclos de surgimento, crescimento, declínio e desaparecimento. E se os indícios de sua passagem forem reconhecidos e compreendidos, certamente também nos orientarão - como um mapa - na construção do nosso futuro.

Dentro desta perspectiva, e para que não se perca a medida de uma necessária humildade, quero lembrar que nosso patrimônio não é constituído apenas pelos bens materiais e/ou culturais construídos, fabricados ou acumulados pela Humanidade, mas também, e talvez principalmente, pelo ambiente que nos cerca e que na verdade é o que nos faz ser como somos, condicionando o modo como vivemos, agimos e reagimos, sendo o real criador da(s) cultura(s) de que tanto nos orgulhamos.

E ainda: que nossa tola vaidade não nos cegue para o fato de que, por tudo que já foi dito, em vez de “possuidores”, somos apenas parte de um sistema, uma engrenagem que já existia antes de nós, é maior e mais forte que nós, que existirá quando nem pó formos mais (se não atrapalharmos...) e que estaria muito bem, mesmo que jamais houvéssemos existido.

Muitos anos atrás cometi a ousadia de começar a pesquisar, reunir material e escrever o que pensei intitular “Breve História de Magé”. A intenção era apresentar todas as informações levantadas, de forma resumida, mas “começando do começo”, ou seja, na Pré-História. E iniciava com as seguintes considerações: 

“Escrever História não é tarefa para leigos. Requer pesquisa, estudo e análise dos dados obtidos, de acordo com métodos específicos, seguindo regras estabelecidas e aceitas pela comunidade científica. Porque História é Ciência. Não pretendemos – nem poderíamos – apresentar um trabalho científico. Mas há muito se tornou necessário fazer uma compilação, sistematizar – ainda que de forma rudimentar – as principais informações disponíveis e divulgá-las para o conhecimento da comunidade.”

Circunstâncias daquele momento não me permitiram nem mesmo concluir a pesquisa. Parei por falta de tempo, conhecimento e material para consulta sobre o período mais recente, ou seja, o século XX. Estou ciente que a Ciência da História requer um distanciamento no tempo que permita análise isenta de impressões e emoções pessoais em seu registro. Mas nada impede que se faça o relato dos fatos, com os nomes de pessoas e locais, datas. Não só os fatos da Política, mas da Economia, da Cultura; dos embates e conquistas da sociedade.

É preciso que conheçamos as origens, desde antes do tempo das savanas, ou melhor, da Mata Atlântica, e o que isto representa em termos de sustentabilidade, ainda hoje. É preciso que se analise o que a busca pelo sustento nos trouxe e poderá nos trazer em termos de prosperidade e progresso. É preciso que o conhecimento nos permita deixar de ser conduzidos por circunstâncias e interesses alheios e aleatórios.

Quem sabe, faz a hora.

Neuza Carion
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