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Colunistas - Roberto Silva de Siqueira

Magé 450 anos de história. O que somos?

Publicado na edição 151 de Julho de 2015

450 anos de história. Então, o que somos? Administrativamente, somos um membro da República Federativa do Brasil, um município com quase 250.000 habitantes. Geograficamente estamos localizados no que podemos chamas de “Recôncavo Guanabarino”, ou seja, limitados pela serra e bela Baia de Guanabara, bem lá no seu fundo.

Porém, economicamente, quase estagnados, vivemos do comércio e serviços. Carecemos de força industrial e continuamos uma cidade dormitório.

Já Fomos povoados por índios e daí, a influência em nosso nome. Nossa ocupação territorial foi marcada pelos ciclos econômicos da cana-de-açúcar no século 16; do ouro nas Minas Gerais (caminho do ouro) no século 17; do café no Vale do Paraíba, final do século 18; e a chegada das indústrias têxteis. Sem contar com o Porto Estrela, a 1ª Estrada de Ferro do Brasil e Indústria de Pólvora, aqui desde o Império, hoje a IBEL.

No mais, com relação a nossa história, deixo com meu amigo, o Historiador Antônio Seixas que, brilhantemente e, de cor e salteado sabe, como poucos o desenrolar de nossa existência.

Mais a pergunta é: o que somos? Bons no futebol, bambas no samba e carnaval.

Tenho a impressão de que existe em nós Mageenses, um sabor de que algo deixou de acontecer ou ainda está por vir.

Já fomos uma Cidade do já teve, cinemas em Magé, Santo Aleixo, Piabetá; receita estadual e federal, campeonato de futebol em 4 categorias (titular, juniores, juvenis, infantil), e tantas outas coisas perdidas.

O Mageense parece comportar-se como aquele trecho da música “... a minha gente hoje anda falando de lado e olhando pro chão ...”.

Sim, somos bons em apontar o que houve e há de errado. Porém, o que fazemos para mudar isto? Sim mudar. A mudança não nos será dada de graça. Não vai acontecer de um dia acordar e ao sair de casa!!!!! Pronto, tudo está mudado.

Não é assim que acontece. Temos que nos reunir e opinar, seja em associações de bairro, em clubes, em partidos políticos, participando dos conselhos municipais, os alunos nas escolas, nas redes sociais.

Vivemos numa democracia e não estamos organizados para, dentro da regra do jogo, reivindicar e propor soluções, estas nos serão impostas. Quer queiramos ou não.

Se a educação, saúde, segurança não estão boas então vamos reivindicar ou procurar por representantes que falem a nossa linguagem.

Conheço muita gente que está aí, na batalha, tentando mudanças, mais são poucos e quase invisíveis. No entanto, são as pessoais mais apaixonadas e guerreiras que já conheci e que precisam de novos mageenses em suas fileiras agindo, ainda que graciosamente e mesmo anônimos, por nossa cidade, cultura, educação e tudo o mais que precisamos.

A lei determina que muitas das atitudes dos governos (federal, estadual ou municipal), sejam tomadas mediante algum tipo de participação da população (plebiscito, consulta popular, audiências públicas e tantras outras ferramentas).

Neste diapasão, o governo local está prestes a começar as discussões sobre nosso novo Plano Diretor, que irá revisar o já existente desde 2006, ferramenta interessantíssima para que o povo mageense possa opinar e participar da elaboração daquilo que nossa cidade quer e precisa para desenvolver-se, de forma sustentável e equilibrada, ambientalmente, nos próximos 10 anos, pelo menos.

Diversas audiência públicas serão realizadas, englobando todos os distritos do município. Não tem jeito, temos que participar. Fiquem atentos com as convocações e mão à obra.

Sempre afirmei que Magé precisa ser pensada. Mas, precisa ser pensada por Nós e não pelos outros. Ou mudamos nossa história para novos 450 anos que virão ou continuaremos como estamos.

Por falar em já teve. Fiquei muito feliz em saber que depois de décadas e décadas, voltamos a ter uma biblioteca pública municipal, localizada em frente à Prefeitura. Mais feliz fiquei ao saber que o nome dado para a biblioteca foi o de Risoleta Goulart da Silveria Matuck. Parabéns para quem teve a idéia.

Roberto Silva de Siqueira
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