JORNAL MILÊNIO VIP - O lixo nosso de cada dia

Colunistas - Leandro Vidal

O lixo nosso de cada dia

Publicado na edição 152 de Agosto de 2015

Vamos considerar o lixo nosso de cada dia como tudo o que aparentemente sobra das nossas atividades diárias e não nos serve mais, que vai desde uma embalagem reciclável que descartamos no lixo em nossas casas a descarga que damos em nossos banheiros, tudo de certa forma teve origem na matéria prima retirada da natureza, e como nos vivemos em um planeta onde quase a totalidade do lixo gerado pelos seres humanos fica retido em sua superfície e atmosfera, nós estamos com um sério problema. Esse modelo de desenvolvimento adotado pela humanidade tem transformado a natureza em bens de consumo em uma velocidade que o planeta não está tendo tempo de repor, substituir, processar, filtrar e administrar componentes naturais essenciais a existência da vida, na forma como conhecemos hoje.

 A Política de Resíduos Sólidos do Estado do Rio de Janeiro – PRES/RJ Lei nº 4.191/2003 regulamentada pelo Decreto nº 41.084/2007, estabelece como metas prioritárias a não geração de resíduos; a redução da geração de resíduos; a reutilização de materiais; a reciclagem de matérias; o tratamento dos resíduos e a disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos. De acordo com a PRES/RJ a geração de resíduos no RJ tem uma variação mínima de 0,61Kg/habitante/dia e máxima de 1,33Kg/hab./dia, cuja variância está relacionada ao porte populacional do município e sua localização geográfica. O município de Magé localizado na Região Metropolitana Administrativa do RJ tem como media de geração 1,19Kg/hab./dia.

As políticas públicas voltadas ao Lixo nosso de cada dia tiveram início a partir da Lei de Diretrizes Nacionais para o Saneamento Básico – nº 11.445/2007 e da Política Nacional de Resíduos Sólidos Lei nº 12.305/2010. O município de Magé que tem sua influencia direta sobre as questões ambientais da Bahia de Guanabara e dos seus principais Rios, conseguiu a partir de muitos esforços de nossa equipe de trabalho enquanto estávamos na Secretaria Municipal de Meio Ambiente, com apoio de Secretaria Estadual de Meio Ambiente atender uma das metas da Política Nacional que envolve o nosso lixo, que foi a criação entre os cinco primeiros municípios do RJ, do Plano Municipal de Saneamento Básico, que está como requisito básico para o cumprimento da Política Publica e para a captação de recursos federais para o Saneamento Básico Municipal, e o Conselho Municipal de Meio Ambiente e Saneamento Básico que deu Legitimidade para a participação social nas decisões que envolvem as Políticas de Meio Ambiente e Saneamento Básico do Município. Mas todos esses esforços não valem muito se não tivermos ações efetivas em prol de uma mudança que envolva toda a sociedade.

Temos atualmente problemas ambientais com todos os tipos de resíduos gerados pela sociedade, ha pouco tempo enquanto passava pela ponte sobre o Rio Roncador na BR 493, avistei um caminhão de cor azul descarregando uma caçamba lotada de pneus nas margens do rio na localidade do Morro das Almas justo onde conseguimos uma autorização pública para efetuar um reflorestamento, a denuncia foi feita mais poucas horas depois avistei da minha residência um cogumelo de fumaça preta compostas por gases tóxicos agravantes do efeito estufa e extremamente nocivos a vida e a natureza, essas situações ocorrem todos os dias em todos os lugares com o despejo de esgoto in natura nos nossos Rios e Praias, material de construção civil, resíduos industriais, de saúde, mineração, agrotóxicos que fazem parte da política de logística reversa assim como os pneus, óleos lubrificantes, lâmpadas fluorescentes , essas nos recolhemos através do Instituto Ideaciclica em quase todo o estado, medicamentos fracionados entre muitos outros. O que as políticas públicas entendem sobre a inclusão das organizações de catadores de materiais recicláveis, o que as indústrias entendem sobre logística reversa obrigatória, o que o Governo entende como despoluição da Bahia de Guanabara, isso não pode ser ralo político, disseram que tem muita água no esgoto da Guanabara tive que concordar, uma andorinha não faz verão. 

Será que nunca conseguiremos resolver esse problema, certa vez um Secretario de Governo de uma cidade amada me disse que os programas ambientais não dão voto, mais os votos não estão salvando o planeta, isso é fato. Não devemos mais nos preocupar com quem deveria fazer devemos fazer a nossa parte, é uma questão de sobrevivência não de voto. Sabe, devemos começar essa mudança de dentro para fora o mundo muda com a mudança da mente, não podemos esperar que o governo recolha nosso lixo reciclável para separá-lo, para que consumir tanto se o que nos traz felicidade não é o ter e sim o Ser, andar descalço pela grama, observar a natureza, sentir o vento da Serra, ver o cair da tarde, nunca seremos felizes enquanto colocarmos nossas expectativas nas coisas e nas pessoas. Hoje a mídia nos empurra por goela abaixo produtos frutos a obsolescência programada feitos para se tornarem obsoletos em poucos meses para a compra do próximo modelo, nosso modelo de desenvolvimento é linear onde retiramos tudo da natureza em uma ponta da linha e devolvemos a ela tudo que não nos serve em outra ponta, mais se não nos serve não vai servir à ela também, ou não podemos perceber que fazemos parte dela, devemos aprender com ela a existir enquanto indivíduos integrados e nos relacionarmos de forma cíclica com o ambiente, assim como ele se relaciona conosco. Estamos desperdiçando água em meio a crise hídrica, a culpa é de quem? Será que não nos acostumaram a valorizar o que tínhamos em abundancia para quando faltasse ainda  teríamos em nossas mentes como algo de muito valor a nossa existência. Só temos as perguntas por que as respostas estão na educação que nos faltou enquanto sociedade, somos tão inteligentes mais não percebemos que temos uma missão que está além do nosso egoísmo, das nossas ambições. O que estamos fazendo com a nossa cidade, com o nosso planeta, será que conseguiremos comprar a nossa paz o nosso ar?  Um povo só terá valor quando tiver seu caráter aprovado, o nosso caráter escolhe o que pensamos e o que pensamos decide o que fazemos.                 



 

Leandro Vidal
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